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Procurador-geral da Ucrânia renuncia após investigação sobre esquema de golpes telefônicos

O procurador-geral da Ucrânia, Ruslan Kravchenko, anunciou sua renúncia na segunda-feira (7), em meio a uma investigação anticorrupção que apura a existência de uma rede de lavagem de dinheiro ligada à proteção de centrais de golpes telefônicos no país.

8 set 2026 - 05h55
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Resumo
O procurador-geral da Ucrânia, Kravchenko, renunciou após buscas em seu gabinete ligadas a uma investigação de lavagem de dinheiro e proteção a call centers clandestinos de golpes telefônicos, setor ilegal que pode faturar US$ 1 bilhão ao mês. A saída ocorre em meio a repetidos escândalos de corrupção que desgastam o governo Zelensky e prejudicam a imagem do país perante os aliados ocidentais, em um momento crucial para as exigências de aproximação com a União Europeia.

"Apresentei minha renúncia", escreveu Kravchenko em uma mensagem publicada no Telegram. "Não quero que a Procuradoria-Geral seja usada como ferramenta em um confronto político", acrescentou. O procurador afirmou ainda que mantém sua posição em relação às acusações, sem dar mais detalhes.

Envolvido em alegações de corrupção, o Procurador-Geral Ruslan Kravchenko anunciou sua renúncia em 7 de setembro de 2026.
Envolvido em alegações de corrupção, o Procurador-Geral Ruslan Kravchenko anunciou sua renúncia em 7 de setembro de 2026.
Foto: © Tetiana Dzhafarova / AFP / RFI

O anúncio foi feito dois dias após agentes do Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e da Procuradoria Especial Anticorrupção (SAP) realizarem buscas em seu gabinete. No sábado (5), os dois órgãos informaram ter identificado um esquema de lavagem de dinheiro supostamente comandado por um funcionário da Procuradoria-Geral.

Segundo os investigadores, a rede recebia pagamentos para garantir proteção a call centers fraudulentos especializados em golpes por telefone. Em troca, os responsáveis pelas fraudes teriam obtido cobertura para suas atividades e meios de legalizar recursos de origem ilícita. As autoridades afirmam que parte do dinheiro foi utilizada na compra de imóveis, joias e outros bens de alto valor.

Esses centros de telemarketing clandestinos se tornaram um negócio altamente lucrativo na Ucrânia. De acordo com a Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC), o setor emprega cerca de 60 mil pessoas, número equivalente a cerca de dois terços da força de trabalho do sistema bancário ucraniano. A organização estima que as operações possam gerar até US$ 1 bilhão por mês.

Série de casos de corrupção desgasta Zelensky

O caso se soma a uma série de escândalos de corrupção que atingiram a Ucrânia desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. Nos últimos anos, investigações envolveram integrantes do governo, autoridades civis e militares.

Em agosto, o presidente Volodymyr Zelensky exonerou sua vice-chefe de gabinete, Iryna Mudra, após seu nome aparecer em uma investigação sobre lavagem de dinheiro. Já Andriy Yermak, considerado um dos principais aliados políticos de Zelensky, deixou o cargo de chefe de gabinete em novembro de 2025 após vir à tona um esquema de desvio de recursos atribuído ao empresário Timur Mindich, amigo próximo do presidente e atualmente foragido no exterior.

A renúncia de Kravchenko representa mais um revés para o governo ucraniano, que tenta preservar sua imagem perante aliados ocidentais em um momento em que o combate à corrupção continua sendo uma das principais exigências para a aproximação do país com a União Europeia.

Com AFP

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