Israel volta a atacar os subúrbios de Beirute após fim da trégua
Jerusalém diz que seu território foi alvo de ataques libaneses nesta sexta. O governo libanês e o Hezbollah negam autoria.
A Força Aérea de Israel realizou nesta sexta-feira, 28, um grande ataque a um prédio nos subúrbios do sul de Beirute, capital do Líbano. Este foi o primeiro ataque ao local após o acordo de trégua intermediato pelos Estados Unidos em novembro de 2024.
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Forças militares de Israel disseram que atingiram uma instalação de armazenamento de drones e que a área pertencente ao grupo armado Hezbollah, apoiado pelo Irã.
O ataque, que foi ouvido em toda Beirute e produziu uma grande coluna de fumaça preta, seguiu-se a uma ordem de retirada dada pelos militares israelenses para a vizinhança. Em sequência, três ataques menores de drones direcionados ao prédio foram realizados. Fontes informaram à Reuters que eles tinham como intenção serem tiros de advertência.
A ordem de retirada deixou os moradores da região em pânico. Jornalistas na região disseram que o tráfego de carros ficou intenso e que algumas pessoas escolheram sair de lá a pé.
Os subúrbios do sul de Beirute, um reduto do Hezbollah conhecido como Dahiyeh, foram atingidos no ano passado por ataques israelenses que mataram muitos dos principais líderes do grupo, incluindo seu poderoso chefe Sayyed Hassan Nasrallah em um ataque aéreo em setembro.
Dois meses depois, uma trégua intermediada pelos Estados Unidos pôs fim aos combates e determinou que o sul do Líbano ficasse livre de combatentes e armas do Hezbollah, que as tropas libanesas fossem enviadas para a área e que as tropas terrestres israelenses se retirassem da zona.
Segundo Israel, o acordo foi quebrado na última semana quando dois ataques atingiram o país provenientes do sul do Líbano — vários foguetes disparados em 22 de março e outro conjunto disparado na manhã de sexta-feira.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que o governo libanês tinha responsabilidade direta pelo ataque e afirmou que, enquanto não houver paz na Galileia, "também não haverá paz em Beirute".
O Hezbollah negou vínculos com qualquer um dos ataques. Nenhum outro grupo reivindicou a responsabilidade.
Mas a declaração de Israel confirmando seu ataque a Dahiyeh disse que o disparo de foguetes na manhã de sexta-feira "constitui uma violação flagrante dos entendimentos entre Israel e o Líbano e uma ameaça direta aos cidadãos do Estado de Israel".
Israel prometeu uma resposta enérgica a qualquer ameaça à sua segurança, provocando temores de que o conflito do ano passado — que deslocou mais de 1,3 milhão de pessoas no Líbano e destruiu grande parte do sul do país — possa ser retomado.
O presidente libanês, Joseph Aoun, em Paris para se encontrar com seu colega francês Emmanuel Macron, disse em uma declaração por escrito da França que o ônus está na comunidade internacional para "pôr um fim a esses ataques e forçar Israel a cumprir o acordo, assim como o Líbano está comprometido com ele".
A Coordenadora Especial das Nações Unidas para o Líbano, Jeanine Hennis-Plasschaert, disse que a troca de ataques na fronteira sul na sexta-feira foi "profundamente preocupante".
"Qualquer troca de ataques é um número excessivo. Um retorno ao conflito mais amplo no Líbano seria devastador para os civis de ambos os lados da Linha Azul e deve ser evitado a todo custo", disse ela em uma declaração por escrito.