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Mercosul e UE assinam acordo histórico de parceria após mais de 25 anos

'Preferimos o comércio justo às tarifas', disse Von der Leyen em crítica aos EUA

17 jan 2026 - 14h42
(atualizado às 17h59)
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A cerimônia de assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia neste sábado (17) em Assunção, no Paraguai, ficou marcada por um recado velado ao governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, que tem usado "o comércio como arma geopolítica".

Sem citar o nome do mandatário de Washington em nenhum momento, líderes de ambos os lados frisaram a importância do "diálogo, da cooperação e do multilateralismo" entre as nações.

"Escolhemos o comércio justo ao invés de tarifas e a parceria no lugar do isolamento. Queremos entregar benefícios reais as nossas populações e as nossas empresas", afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, referindo-se ao tarifaço mundial aplicado por Trump em 2025 a inúmeros países, incluindo membros dos dois blocos.

Segundo ela, a assinatura do tratado após mais de 25 anos de negociações não é "apenas sobre aproximar países, mas conectar continentes".

"Estamos criando a maior área de livre comércio do mundo, um mercado que representa quase 20% do PIB global, com oportunidades incalculáveis para nossos 700 milhões de cidadãos", sustentou Von der Leyen, reforçando que "o acordo eliminará as taxas alfandegárias e outras barreiras comerciais, além de abrir o processo de compras públicas".

"Ele [o acordo Mercosul-UE] proporcionará um quadro regulatório claro para incentivar o investimento e os fluxos comerciais. Isso beneficiará enormemente as empresas de ambos os lados, incluindo as 30 mil pequenas e médias empresas europeias que já exportam para esta vasta região [da América do Sul]", falou a líder do Executivo da UE.

Von der Leyen, Peña e Costa durante cerimônia de assinatura de acordo Mercosul-UE no Paraguai

Em sua fala, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, além de reforçar que o pacto entre os blocos irá "estreitar os laços econômicos e políticos" entre os países europeus e sul-americanos, gerando "imensas oportunidades, como o aumento de empregos", ele também lançou uma crítica à política protecionista de Trump, que neste sábado, anunciou novas tarifas a alguns países da Europa por serem contra sua intenção de anexar a Groenlândia, pertencente ao Reino da Dinamarca.

"Defendemos o multilateralismo em detrimento do unilateralismo, que usa o comércio como arma geopolítica", pontou Costa, sem mencionar o governo americano.

"Não aspiramos criar áreas de influência, mas zonas compartilhadas; não queremos dominar, mas promover e reforçar vínculos entre nossas populações e empresas", frisou o português, mencionando ainda que "enquanto uns criam barreiras [alfandegárias], nós criamos pontes".

"Juntos somos mais fortes para o enfrentamento da crise climática, da segurança e da soberania nacional", concluiu Costa.

Diante da ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

"Estamos lançando as bases para nossos hemisférios, que terão mais empregos, investimentos, acesso a bens e serviços, e inclusões tecnológica e social, assim como a diversificação de parceiros", falou Vieira.

O chanceler brasileiro foi além da proposta comercial do acordo Mercosul-UE, citando como benefícios "a proteção ambiental" no planeta e "o empoderamento de mulheres e meninas" nos países do bloco sul-americano.

"Acreditamos na cooperação e no diálogo construído de forma construtiva, com cada povo decidindo soberanamente sobre seu destino", afirmou Vieira em mais uma crítica velada à política internacional de Trump.

Já o presidente Argentino e aliado do republicano, Javier Milei, declarou que a assinatura do acordo entre os blocos é "a maior vitória desde que o Mercosul foi criado", em 1991.

"Avançar rumo a acordos de livre comércio abre caminhos para a prosperidade; porém, este acordo não é um ponto de chegada, e sim de partida. Esperamos que o Parlamento Europeu dê o seu aval", falou Milei, referindo-se à ratificação do pacto na UE a partir de fevereiro.

Milei, que usou partes de seu discurso para parabenizar Trump por ter capturado em 3 de janeiro o "ditador e narcotraficante" Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela, também enviou uma mensagem à primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni.

"Gostaria de agradecer, em especial, a premiê da Itália, minha amiga: seu empenho foi crucial para o sucesso dessas negociações", disse o argentino, já que o governo italiano, após ter barrado o acordo em dezembro, voltou atrás neste mês e se colocou como favorável.

A parceria, fruto de mais de duas décadas de negociações, foi assinada na presença de Von der Leyen e do atual presidente da aliança Mercosul, o mandatário paraguaio, Santiago Peña, em um local de grande simbolismo: o anfiteatro do Banco Central do Paraguai, mesma sede que recebeu a assinatura da criação do bloco comercial comum entre nações da América do Sul. 

Ansa - Brasil
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