Israel aprova construção de casas em área criticada por Biden
Obras de novo assentamento invadem a 'linha verde' de Jerusalém
A prefeitura de Jerusalém e a Autoridade Territorial de Israel aprovaram a construção de 108 residências no bairro de Ramat Shlomo nesta quinta-feira (12). A área utilizada para a obra, porém, invade a chamada "linha verde", criada em 1967, para separar o território de israelenses e de palestinos.
Segundo o portal "Haaretz", as obras devem durar dois meses, ou seja, terminam antes da posse do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Isso porque o local da "invasão" foi alvo de uma briga política em 2010, justamente, quando o democrata era vice-presidente do país, no governo de Barack Obama.
À época, Biden havia viajado para Israel para fazer reuniões na tentativa de retomar as negociações entre palestinos e israelenses para um acordo de paz. Pouco após participar de um jantar com o premiê Benjamin Netanyahu, que ainda continua no poder, a Autoridade Territorial anunciou a construção de 1,6 mil casas no bairro de Ramat Shlomo.
"Biden e administradores sêniores da administração Obama ficaram furiosos com o anúncio, o vendo como uma humilhação de Biden, que estava tentando promover a renovação das conversas de paz com os palestinos. Como resultado, uma grave crise diplomática surgiu com os Estados Unidos e, por vários anos, a construção além da linha verde em Jerusalém ficou paralisada na prática", diz ainda o "Haaretz".
A afirmação sobre a crise e a "fúria" de Biden também foram contadas pelo "The Times of Israel", que acrescenta que, dessa vez, o anúncio não teve a assinatura pública de Netanyahu e que "não estamos brincando", o "ministro do Interior, Eli Yishai, nem percebeu que Ramat Shlomo está além da linha verde".
"Netanyahu, quase certamente, não estava ciente da decisão que ia ser anunciada. Ele não tem nenhum desejo de começar uma briga com Biden", pontua ainda o portal.
Fato é que essa não é a primeira aprovação nos últimos meses da construção dos novos assentamentos em terras palestinas. Em outubro, a Comissão de Planejamento da Administração Civil do Ministério da Defesa, anunciou que iria construir 2.116 novas casas no território da Cisjordânia.
A prática de invasão dos territórios palestinos vem se intensificando sobre o governo de Netanyahu e foi acelerada com a vitória de Donald Trump, em 2016. Nos últimos quatro anos, os EUA não condenaram as obras, mesmo que isso tenha sido feito pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela União Europeia.
Os órgãos acusam Israel de violar as leis do direito internacional. .