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Irã promete retaliação sem 'limites geográficos' em caso de ataque dos EUA

Em um comunicado, o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou neste sábado (31) que o país poderá voltar a atacar os Estados Unidos caso a guerra seja retomada pelos EUA no Oriente Médio. Khamenei mencionou uma retaliação sem "limites geográficos" diante de uma eventual ofensiva.

31 out 2026 - 10h52
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Resumo
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, prometeu uma retaliação imediata e sem limites geográficos caso os EUA voltem a atacar o país, ordenando a inclusão de ativos americanos e israelenses como alvos. O conflito direto, iniciado em fevereiro, gerou bloqueios marítimos e impactou o comércio global de energia. Apesar da escalada militar, esforços diplomáticos liderados por Catar e Paquistão tentam reatar o diálogo de paz entre Washington e Teerã antes das eleições de meio de mandato nos EUA.

As declarações foram feitas durante uma reunião com comandantes militares, entre eles o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Ali Abdollahi, o comandante do Exército, Amir Hatami, e o chefe da Guarda Revolucionária, Ahmad Vahidi. 

"Qualquer nível ou tipo de ameaça deve receber uma resposta imediata, poderosa e sem limites geográficos", declarou o líder supremo. "Se os inimigos voltarem a lançar ataques militares ou terroristas, serão as Forças Armadas da República Islâmica e o povo iraniano que determinarão o momento e as condições para seu encerramento", afirma Khamenei no texto, publicado em seu site oficial. 

O líder também ordenou aos dirigentes militares que atualizem a lista de alvos iranianos para incluir "todos os tipos de ativos materiais e imateriais pertencentes ao inimigo americano-sionista". 

Mojtaba Khamenei não foi visto em público desde que assumiu o cargo de líder supremo após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, morto em ataques de Israel e dos Estados Unidos no início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro. 

A guerra começou em 28 de fevereiro, com ataques de Israel e dos EUA contra o Irã.  Em resposta, Teerã reagiu atingiu Israel, instalações americanas na região e países aliados dos Estados Unidos, além de restringir o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o comércio mundial de hidrocarbonetos.

Em resposta, os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo e gás natural. 

Esforços diplomáticos 

Há um esforço internacional para evitar a retomada dos ataques. Na sexta-feira, uma delegação do Catar chegou a Teerã para conversar com autoridades iranianas, após o Irã receber uma carta do vice-presidente americano, JD Vance. 

Segundo os jornais Wall Street Journal e New York Times, JD Vance enviou na quarta-feira uma carta a Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, com o objetivo de retomar as negociações de paz com Teerã. 

Vance busca avaliar se os dois lados do conflito conseguem encontrar "pontos de convergência suficientes" que permitam convencer Donald Trump a não ordenar um novo ataque contra o Irã. De acordo com o Wall Street Journal, a carta teria sido redigida a pedido do presidente americano. O Irã ainda não respondeu, segundo a imprensa iraniana. 

Ampliação do conflito 

O porta-voz das Forças Armadas iranianas, Mohammad Akraminia, afirmou que uma nova ofensiva americana apenas ampliaria o conflito. "Se o presidente dos EUA embarcar novamente em uma aventura regional sob pressão dos sionistas e para satisfazê-los, as chamas da guerra certamente se espalharão por uma área geográfica muito mais ampla", escreveu ele na rede social X. 

Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que "as poderosas Forças Armadas iranianas responderão àqueles que ousarem atacar nosso povo". Qatar e Paquistão atuam como mediadores nas tentativas de retomar as negociações de paz após um acordo de cessar-fogo firmado em abril, mas as iniciativas ainda não resultaram em uma solução duradoura. 

Eleições nos EUA 

Os Estados Unidos se preparam para as eleições legislativas de meio de mandato da próxima terça-feira, que podem influenciar os rumos do conflito, cada vez mais impopular entre os eleitores americanos devido à alta dos preços da energia. 

Israel também realizou eleições legislativas na semana passada, em uma votação marcada pelo debate sobre a liderança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que prometeu derrubar o governo iraniano. Sob a liderança de Netanyahu, Israel e Irã passaram a se enfrentar diretamente no campo militar após décadas de confrontos indiretos. 

Com agências

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