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Irã executa primeiros condenados por protestos de janeiro

Réus foram acusados de envolvimento na morte de 2 agentes de segurança

19 mar 2026 - 09h23
(atualizado às 11h30)
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As autoridades do Irã anunciaram nesta quinta-feira (19) as três primeiras execuções de prisioneiros condenados por participação nos protestos contra o regime dos aiatolás que abalaram o país em janeiro passado.

Segundo a agência de notícias Mizan, ligada ao judiciário iraniano, os condenados, identificados como Mehdi Ghasemi, Saleh Mohammadi e Saeid Davudi, foram enforcados na cidade de Qom após serem considerados culpados pelo assassinato de dois agentes de segurança e por supostas ligações operacionais com Israel e os Estados Unidos.

Os três foram sentenciados pelo crime de moharebeh ("inimizade contra Deus"), uma acusação prevista na lei islâmica iraniana utilizada em casos relacionados à segurança pública, espionagem e ações consideradas hostis ao Estado.

De acordo com as autoridades, os fatos remontam ao dia 8 de janeiro, quando os réus teriam atacado agentes de segurança com facas em diferentes pontos da cidade de Qom, resultando na morte de dois oficiais.

Ainda segundo a versão oficial, os réus confessaram os crimes durante o processo judicial e reconstruíram os incidentes em detalhes. A Justiça iraniana também afirmou que as execuções ocorreram após a confirmação das sentenças pela Suprema Corte e a conclusão de todos os trâmites legais, com a presença de advogados de defesa.

No entanto, organizações de direitos humanos contestaram a versão oficial e criticaram duramente as execuções. Entidades como a HRANA, sediada nos EUA, e o grupo Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, afirmam que os acusados não tiveram acesso a um julgamento justo e que suas confissões teriam sido obtidas sob tortura.

Segundo essas entidades, um dos executados, Saleh Mohammadi, havia completado recentemente 19 anos e era atleta de luta livre, tendo participado de competições internacionais.

Os ativistas também alertaram para o risco de novas execuções: "Estamos profundamente preocupados com o risco de execuções em massa de manifestantes e presos políticos em meio à guerra".

A ONG IHR enfatiza ainda que "essas execuções são realizadas para espalhar o medo na sociedade, pois a República Islâmica sabe que a principal ameaça à sua sobrevivência vem do povo iraniano que exige mudanças fundamentais".

Os protestos antigovernamentais de janeiro começaram por motivos econômicos, como o aumento do custo de vida, mas rapidamente se transformaram em manifestações contra o regime iraniano.

A repressão foi intensa e, segundo dados de grupos independentes, o número de mortos supera a marca de 7 mil, enquanto dezenas de milhares de pessoas foram detidas. No entanto, o governo iraniano afirma que 3 mil pessoas morreram durante os distúrbios, incluindo membros das forças de segurança.

O Irã é o segundo país que mais executa pessoas no mundo, atrás apenas da China, segundo grupos de direitos humanos. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que, somente em 2025, cerca de 1,5 mil pessoas foram executadas ? um aumento de 50% em relação ao ano anterior. 

Ansa - Brasil
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