Irã afirma que preço do petróleo chegará a US$200 por barril e alerta para "ataques contínuos"
Porta-voz militar do país afirmou que não permitirá que nem um litro de petróleo chegue aos EUA, a Israel e seus parceiros
O Irã passará de "ataques recíprocos" após ofensiva para ataques contínuos contra adversários, e os EUA não conseguirão controlar os preços do petróleo, afirmou nesta quarta-feira, 11, o porta-voz do quartel-general do comando militar de Khatam al-Anbiya, em Teerã.
"Não permitiremos que nem um litro de petróleo chegue aos EUA, aos sionistas (Israel) e seus parceiros. Qualquer embarcação ou petroleiro com destino a eles será um alvo legítimo", disse Ebrahim Zolfaqari.
"Preparem-se para o barril de petróleo chegar a US$200, porque o preço do petróleo depende da segurança regional, que vocês desestabilizaram", acrescentou.
O impacto no mercado do petróleo
Os EUA e Israel bombardearam o Irã nesta terça-feira, 10, com o que o Pentágono e os iranianos chamaram de os ataques aéreos mais intensos da guerra.
Os militares dos EUA também eliminaram 16 embarcações iranianas que colocavam minas perto do Estreito de Ormuz, disse o Comando Central dos EUA, enquanto o presidente Donald Trump alertou que qualquer mina colocada no estreito pelo Irã deve ser removida imediatamente.
Com o conflito, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou um plano para liberar reservas recordes de petróleo, a fim de compensar possíveis impactos no abastecimento decorrentes do conflito entre EUA, Israel e Irã.
A liberação de reservas proposta pela AIE excederia os 182 milhões de barris de petróleo que os países membros da AIE colocaram no mercado em 2022, quando a Rússia lançou sua invasão em grande escala da Ucrânia, disse o WSJ, citando fontes familiarizadas com o assunto.
Em nota aos clientes, analistas do Goldman Sachs disseram que uma liberação de estoque desse tamanho compensaria 12 dias da interrupção das exportações do Golfo, estimada pelo banco de investimentos em 15,4 milhões de barris por dia.
No entanto, alguns analistas mostraram ceticismo quanto à proposta da AIE e ao seu impacto sobre os preços do petróleo.
"Movimentos como a liberação do SPR da AIE não são a solução para a crise. A evolução dos preços do petróleo dependerá da duração da guerra com o Irã", disse Suvro Sarkar, líder da equipe do setor de energia do DBS.
Os riscos de alta dos preços no curto prazo serão "controlados por meio de movimentos periódicos de sinalização estratégica, como vimos nos últimos dias, para acalmar os mercados", acrescentou Sarkar.
Autoridades do G7 também se reuniram online para discutir uma possível liberação de estoques emergenciais de petróleo para amenizar o impacto no mercado.
O presidente da França, Emmanuel Macron, fará uma videochamada com outros líderes do G7 nesta quarta-feira para discutir o impacto do conflito no Oriente Médio sobre a energia e possíveis medidas para lidar com a situação.
Trump tem dito repetidamente que os EUA estão preparados para escoltar navios-tanque pelo Estreito de Ormuz quando necessário. No entanto, fontes disseram à Reuters que a Marinha dos EUA recusou pedidos do setor de transporte marítimo para escoltas militares, pois o risco de ataques é muito alto por enquanto.
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