Irã aceita retorno de inspetores da AIEA após negociações com os EUA
O Irã concordou em convidar novamente inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para retornarem ao país, segundo o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, na segunda-feira (22), na Suíça, após negociações destinadas a encerrar a guerra no Oriente Médio.
"Este é um marco importante para o povo americano e um primeiro passo em direção à desnuclearização definitiva, ou seja, à interrupção permanente do programa de armas nucleares do Irã", declarou Vance à imprensa, acrescentando que espera que isso aconteça ainda nesta semana.
O vice-presidente norte-americano fez as declarações antes de deixar a Suíça, após 18 horas de negociações intensas realizadas em um resort de luxo nos Alpes suíços com uma delegação iraniana e autoridades de alto escalão do Paquistão e do Catar, países que atuaram como mediadores.
O Irã, que não confirmou imediatamente as informações, havia suspendido temporariamente a cooperação com a agência da ONU após ataques aéreos de Israel e dos Estados Unidos contra suas instalações em junho de 2025.
Desde então, os inspetores da AIEA não conseguiram visitar os locais afetados, o que mantém incerta a situação dos estoques de urânio altamente enriquecido do país, um dos principais pontos de divergência com Washington. No entanto, receberam autorização para visitar outras instalações nucleares iranianas nos últimos meses.
Na semana passada, os presidentes dos Estados Unidos e do Irã assinaram, separadamente, um memorando de entendimento pelo qual Teerã se comprometeu a diluir seu estoque de urânio altamente enriquecido em troca do alívio de sanções internacionais, embora os detalhes do acordo ainda precisem ser definidos.
Segundo o documento, os dois países discutirão um mecanismo durante um período de negociação de 60 dias para lidar com esses estoques, "utilizando, no mínimo, um método de diluição no local sob supervisão da AIEA". A redução do grau de enriquecimento do urânio para menos de 5% tem como objetivo impedir seu uso potencial para fins militares. Para a fabricação de uma arma nuclear, é necessário um nível de enriquecimento de cerca de 90%.
Países ocidentais e Israel suspeitam que Teerã busque desenvolver armas nucleares, mas a República Islâmica nega ter essa intenção.
O destino de mais de 400 quilos de urânio altamente enriquecido, vistos pela última vez por inspetores da AIEA em 10 de junho de 2025, permanece incerto.
Base sólida
Na segunda-feira, o vice-presidente dos Estados Unidos saudou a "base muito sólida" estabelecida durante as conversas iniciais com o Irã, na Suíça, com o objetivo de encerrar definitivamente a guerra no Oriente Médio, observando que o foco agora se voltou para "discussões técnicas". "Ainda não construímos a casa, mas lançamos uma base sólida para chegar a um resultado favorável ao povo americano."
O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz continuou, na segunda-feira, em ritmo mais intenso do que antes do acordo, segundo plataformas de monitoramento marítimo.
Os Estados Unidos e o Irã deverão estabelecer uma "linha de comunicação" destinada a prevenir incidentes e mal-entendidos, "com o objetivo de garantir a passagem segura de navios comerciais", afirmaram Islamabad e Doha.
Os mercados pareciam mais tranquilos na segunda-feira. O petróleo Brent do Mar do Norte, referência global para os preços da commodity, que havia superado os US$ 126 por barril durante a guerra, o nível mais alto em quatro anos, recuou acentuadamente e era negociado abaixo de US$ 80.
Ainda assim, analistas permanecem cautelosos após novas ameaças do presidente Donald Trump, que instou Teerã a impedir que seus aliados no Líbano, em referência ao Hezbollah, "causassem problemas", advertindo que, caso contrário, os Estados Unidos retomariam os ataques.
As declarações do presidente norte-americano afastaram, ao menos por ora, qualquer perspectiva de desescalada imediata do conflito.
Com AFP
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