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Instituto confirma déficit de 3,1% do PIB na Itália e frustra governo Meloni

Roma esperava sair de procedimento de infração instaurado pela União Europeia

22 set 2026 - 07h56
(atualizado às 08h25)
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Resumo
O Istat confirmou que a Itália teve um déficit de 3,1% do PIB em 2025, superando o teto de 3% da União Europeia e frustrando o governo de Giorgia Meloni. Com isso, o país segue sob o procedimento de infração do bloco, adiando a normalização fiscal para 2027 e sob risco de sanções. A oposição criticou a política de austeridade do governo, enquanto a situação culpou a rigidez das regras europeias. O PIB cresceu 0,6% e a dívida pública subiu para 136,7% do PIB, ambos com leves revisões técnicas.

O Instituto Nacional de Estatísticas (Istat) da Itália confirmou nesta terça-feira (22) que o país registrou déficit de 3,1% do produto interno bruto (PIB) em 2025, frustrando a expectativa do governo de Giorgia Meloni de sair de um procedimento de infração instaurado pela União Europeia.

O resultado confirma a estimativa provisória divulgada em abril, porém Roma esperava que o índice fosse revisado para abaixo do limite de 3% estabelecido pelas regras fiscais da UE.

"Tomamos conhecimento, não sem tristeza, dos dados definitivos divulgados pelo Istat sobre a relação déficit/PIB de 2025", afirmou o ministro italiano da Economia, Giancarlo Giorgetti. "Infelizmente, a Itália não sairá do procedimento de déficit excessivo neste ano, como esperávamos, mas isso poderá ocorrer em 2027", acrescentou.

Um porta-voz da Comissão Europeia, o poder Executivo da UE, confirmou que a Itália só poderá deixar o procedimento de infração quando o déficit for "inferior ao valor de referência de 3% do PIB". Em última instância, esse mecanismo pode levar Bruxelas a adotar até sanções pecuniárias contra Roma.

A oposição atribuiu o resultado à condução da política fiscal do governo Meloni, no poder desde 2022. "A confirmação do déficit de 3,1% em 2025 é uma notícia ruim para a Itália e uma bofetada em Meloni e Giorgetti", disse Antonio Misiani, responsável pela área econômica do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda.

"Apostaram tudo na estabilidade fiscal nos últimos anos, elevando a carga tributária ao maior nível desde 2014 e cortando muitos serviços públicos, a começar pela saúde. Essa política de austeridade sufocou o crescimento", acrescentou.

No entanto, o vice-premiê e ministro dos Transportes, Matteo Salvini, líder do partido nacionalista Liga, culpou as regras europeias. "Por causa de 0,1 [ponto percentual], a Itália não sai do chamado procedimento de infração, e é surreal que, em 2026, a segunda maior potência industrial da Europa dependa de zero vírgula alguma coisa para saber se pode ou não investir no seu futuro", disse.

O Istat ainda revisou o crescimento do PIB de 2025 para 0,6%, 0,1 ponto acima do divulgado anteriormente. O dado de 2024 também foi corrigido para cima, em 0,3 ponto, chegando a 1,1%.

Já a relação dívida/PIB de 2025 foi de 136,7%, acima dos 134,2% de 2024. Os números de ambos os anos foram revisados para baixo em relação às estimativas anteriores (137,1% e 134,7%, respectivamente).  

Ansa - Brasil
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