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Inquérito aponta falhas de segurança em ataque em Manchester

Atentado deixou 22 mortos após show de Ariana Grande em 2017

17 jun 2021 16h35
| atualizado às 18h50
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Uma investigação judicial britânica apontou nesta quinta-feira (17) uma série de "graves falhas" e "sérias deficiências" no sistema de segurança da Arena Manchester, principal estádio da cidade e palco do atentado terrorista que deixou 22 mortos e dezenas de feridos, sendo a maioria adolescentes, após show da cantora Ariana Grande em 2017.

Atentado deixou 22 mortos após show de Ariana Grande em 2017
Atentado deixou 22 mortos após show de Ariana Grande em 2017
Foto: EPA / Ansa - Brasil

O episódio ocorreu no dia 22 de maio de 2017, quando Salman Abedi, um britânico de origem líbia, detonou uma bomba na saída da casa de espetáculos ao fim do show da cantora norte-americana. O atentado foi reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), que cometeu uma série de ataques na Europa nos últimos anos.

Segundo o documento final, os serviços de segurança do estádio perderam várias oportunidades de identificar o criminoso como uma ameaça. "Abedi deveria ter sido identificado no dia 22 de maio de 2017 como ameaça pelos responsáveis pela segurança da Arena, que deveriam ter realizado uma resposta rápida", diz John Saunders, responsável pela investigação.

O inquérito oficial sobre o ataque, que começou em setembro passado, estabelece que o terrorista, que tinha 22 anos na época, poderia ter explodido o dispositivo de qualquer maneira se tivesse sido confrontado por agentes de segurança, mas "a perda de vidas e os feridos teriam sido menores, muito provavelmente".

"O plano de segurança do Manchester Arena deveria ter evitado ou minimizado o impacto devastador do ataque. Não foi possível. Várias oportunidades foram perdidas e levaram a esse fracasso", alegou o ex-magistrado.

Saunders concentrou sua análise nas ações da operadora do estádio, a SMG, do seu provedor de segurança, Showsec, e da Polícia de Transporte Britânica, que patrulhava a área adjacente à estação de trem de Manchester Victoria.

Para ele, as três organizações foram responsáveis por não identificar Abedi como um perigo quando ele se aproximou de uma das entradas com sua mochila cheia de explosivos.

"Dentro dessas organizações também houve falhas de indivíduos que desempenharam um papel nas oportunidades perdidas", acrescentou o ex-juiz.

A investigação ainda determinou que o terrorista fez três visitas de reconhecimento à Arena Manchester antes da noite do ataque e detectou um ponto cego no sistema de vigilância da câmera de segurança.

Embora tenham sido recolhidas provas de que "faltavam várias oportunidades concretas para intervir, essas deficiências estão associadas às que já surgiram no trabalho de fiscalização preventiva da polícia e da inteligência, principalmente pelo MI5, os serviços secretos internos da Sua Majestade II, no que diz respeito à radicalização islâmica progressiva de Abedi e seu irmão, Hashen Ramdan, ao longo dos meses anteriores ao ataque", diz o texto.

Ramdan foi extraditado da Líbia para o Reino Unido em julho de 2019 e cumpre pena de prisão perpétua, com no mínimo 55 anos de prisão, por ter ajudado a planejar o ataque e fabricar o explosivo que seu irmão detonou.

Ansa - Brasil   
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