Incursão das forças israelenses deixa mais de dez mortos no sul da Síria
As forças israelenses mataram pelo menos 13 pessoas na sexta-feira (28), durante uma operação no sul da Síria, a mais mortal desde a queda do presidente Bashar al-Assad, há cerca de um ano. Essa operação visava, segundo Israel, um grupo islamista. Damasco denuncia um "crime de guerra".
O Exército israelense informou ter ocorrido uma troca de tiros e indicou que seis soldados israelenses ficaram feridos, três deles gravemente, durante essa incursão no vilarejo de Beit Jinn. Desde que uma coalizão islamista assumiu o poder há quase um ano, Israel realizou centenas de ataques e conduziu incursões na Síria.
O Ministério das Relações Exteriores da Síria denunciou como um "crime de guerra" a ação israelense realizada durante a noite no sul do país, que deixou pelo menos treze mortos, segundo um novo balanço das autoridades em Damasco. "A Síria denuncia (…) a agressão criminosa" do Exército israelense contra o vilarejo de Beit Jinn, afirma o Ministério das Relações Exteriores em comunicado. "Trata-se de um crime de guerra", acrescenta o ministério, segundo o qual a continuação desse tipo de operação visa "incendiar a região".
De acordo com a televisão síria, as vítimas são, em sua maioria, mulheres e crianças. Várias casas e a mesquita de Beit Jinn foram atingidas, e várias pessoas ainda estão presas sob os escombros.
Organização Jamaa Islamiya na mira de Israel
O Exército israelense havia anunciado mais cedo ter lançado, durante a noite, "uma operação destinada a prender suspeitos pertencentes à organização Jamaa Islamiya", que "preparavam ataques contra civis israelenses".
O grupo islâmico libanês Jamaa Islamiya é aliado do movimento palestino Hamas, cujo ataque, em 7 de outubro de 2023, desencadeou a guerra na Faixa de Gaza.
O prefeito da localidade, situada aos pés do Monte Hermon, Abdel Rahman al-Hamraoui, declarou à AFP que o Exército israelense havia realizado uma operação em Beit Jinn "para prender três moradores" do vilarejo. Ele acrescentou que "houve confrontos entre habitantes que tentaram resistir" e que, posteriormente, o Exército israelense "bombardeou a localidade com artilharia e drones", causando vítimas.
A televisão síria mostrou dezenas de famílias fugindo da região.
Incursão mais mortal realizada pelas forças israelenses
Segundo o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahmane, "trata-se da incursão mais mortal desde que Israel começou a realizar operações fora da zona tampão no sul da Síria".
Desde a queda de Bashar al-Assad, Israel tem deslocado tropas para a zona desmilitarizada no planalto de Golã, além da linha de demarcação entre a parte desse território sírio anexada unilateralmente por Israel em 1981 e o restante da Síria.
Israel atribui uma "importância imensa" à sua presença militar nesta região na Síria, havia declarado em 19 de novembro o seu primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, durante uma visita a soldados israelenses posicionados na área, que, teoricamente, deveria estar sob controle da ONU.
Com RFI e AFP