Incêndio em principal usina de gás do Catar após ataque do Irã é controlado
Trump fez novas ameaças a iranianos, enquanto drones atingiram Kuwait e Riad
Todos os incêndios provocados por um ataque realizado pelo Irã à principal refinaria de gás natural liquefeito (GNL) do Catar, localizada na costa norte, estão "sob controle", anunciou o Ministério do Interior do país nesta quinta-feira (19).
Segundo as autoridades, a Defesa Civil conseguiu extinguir completamente as chamas na zona industrial de Ras Laffan.
O comunicado oficial do Ministério também informa que equipes seguem atuando no local com operações de resfriamento e segurança para evitar novos focos e garantir a estabilidade da instalação.
O incidente ocorreu logo após uma nova ofensiva com mísseis, atribuída ao Irã, que voltou a atingir a mesma refinaria, já danificada em um ataque no dia anterior. O Ministério da Defesa do Catar confirmou que projéteis balísticos lançados do território iraniano alcançaram a área industrial, causando "danos consideráveis".
Já a empresa estatal de energia QatarEnergy também relatou incêndios e prejuízos significativos em sua principal unidade de produção de GNL. Apesar da gravidade dos ataques, autoridades catarianas reiteraram que não foram registrados feridos.
O episódio intensificou ainda mais a crise regional e fez o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagir com ameaças diretas ao Irã, afirmando que Washington poderá destruir o campo de gás de South Pars - um dos maiores do mundo ? caso novos ataques atinjam o Catar.
Em mensagem publicada nas redes sociais, Trump declarou que os EUA agirão "com uma força e um poder nunca antes vistos" se Teerã voltar a atacar o que chamou de um país "completamente inocente".
Além disso, o republicano explicou que Israel atacou South Pars, mas garantiu que seu governo "não sabia de nada" sobre o ataque que levou à retaliação do Irã contra Ras Laffan.
"Não haverá mais ataques de Israel contra este campo de gás de South Pars, de importância crítica e valioso, a menos que o Irã decida, de forma imprudente, atacar um país completamente inocente, ou seja, o Catar", enfatizou.
Paralelamente, uma série de ataques com drones atingiu instalações petrolíferas estratégicas no Kuwait e na Arábia Saudita, também provocando incêndios.
De acordo com o Ministério da Informação do Kuwait, um drone atingiu uma unidade operacional da refinaria Mina Abdullah, pertencente à Kuwait National Petroleum Company (KNPC), e causou chamas no local.
As autoridades informaram ainda que equipes de emergência foram mobilizadas rapidamente para conter o fogo. Este foi o segundo ataque contra instalações da mesma empresa. Mais cedo, a refinaria de Mina Al-Ahmadi, também operada pela KNPC, já havia sido atingida por um drone.
Em Riad, o Ministério da Defesa saudita confirmou que um drone também caiu na refinaria Samref, localizada no complexo industrial de Yanbu, na costa do Mar Vermelho. A unidade é operada pela Saudi Aramco em parceria com a ExxonMobil, por meio da subsidiária Mobil Yanbu Refining Company.
Segundo o governo da Arábia Saudita, uma avaliação dos danos ainda está em andamento. Anteriormente, o ministério já havia anunciado a interceptação de um míssil balístico que tinha como alvo o porto de Yanbu, sugerindo uma ofensiva coordenada contra infraestruturas energéticas da região.
Em meio à tensão no Oriente Médio, líderes de países muçulmanos reunidos no Cairo pediram a interrupção imediata das ações militares iranianas e alertaram para "sérias repercussões políticas, econômicas e de segurança", incluindo riscos à navegação marítima na região.
A reunião contou com a presença dos ministros das Relações Exteriores de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Kuwait, Catar, Líbano, Síria, Turquia, Paquistão e Azerbaijão. .