Igreja Católica elogia Saramago, mas lamenta polêmicas
A Igreja Católica portuguesa manifestou seu pesar pela morte do escritor José Saramago e elogiou sua obra, embora lamente as polêmicas em torno da religião provocadas por alguns de seus livros.
O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) da Igreja Católica lusa lembra, em comunicado divulgado neste sábado, que Saramago "foi um grande criador da língua portuguesa" e aponta que "o cristianismo e o texto bíblico interessaram muito ao autor como objeto de sua recriação literária".
No entanto, o secretariado católico lamenta que a "aproximação" do Nobel de literatura à religião "não fosse mais desprendida de posicionamentos ideológicos".
A temática religiosa está presente nas criações de Saramago, em títulos como O Evangelho segundo Jesus Cristo, In Nomine Dei e A segunda vida de Francisco Assis, textos que criaram polêmica em Portugal, "mas cuja vivacidade do debate que suscitam em nada diminui o dever de cordialidade de um encontro cultural que só pode ser gerado na abertura e na diferença", acrescenta o comunicado da Igreja portuguesa.
Na apresentação de seu último livro, Caim (2009), Saramago afirmou que a Bíblia tem "coisas admiráveis do ponto de vista literário" e "que vale muito a pena ler", embora também a tenha definido como "um livro de maus costumes".
Diante das críticas que esta obra despertou no seio da Igreja Católica portuguesa, o escritor acusou aos representantes de instituição de terem criticado o livro sem tê-lo lido.
José Saramago, 87 anos, morreu ontem na ilha espanhola de Lanzarote e seus restos mortais serão repatriados neste sábado a Portugal, onde ocorrerão as cerimônias fúnebres.