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Herói de 'Hotel Ruanda' admite formação de milícia armada

Paul Rusesabagina é acusado de "terrorismo" pelo governo Kagame

25 set 2020
10h37
atualizado às 15h37
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Paul Rusesabagina, homem de 66 anos reconhecido mundialmente por ter salvado cerca de 1,2 mil pessoas durante o genocídio tutsi em Ruanda, admitiu nesta sexta-feira (25) que ajudou a formar um grupo armado em seu país, porém negou envolvimento nos crimes atribuídos à milícia.

Paul Rusesabagina é escoltado em entrada de tribunal em Kigali, Ruanda
Paul Rusesabagina é escoltado em entrada de tribunal em Kigali, Ruanda
Foto: EPA / Ansa - Brasil

Rusesabagina, cuja história foi retratada no filme "Hotel Ruanda", é um dos principais críticos do presidente Paul Kagame e foi preso no fim de agosto, sob a acusação de "terrorismo" e "homicídio". Ele vive em autoexílio na Bélgica e foi capturado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Em audiência na capital ruandesa, Kigali, Rusesabagina admitiu sua participação na fundação da Frente de Libertação Nacional (FLN), braço armado do Movimento pela Mudança Democrática de Ruanda (MRCD), partido da oposição no exílio, em 2017. "Mas não é um grupo terrorista, como diz a acusação", afirmou o ativista.

"O acordo assinado para formar a plataforma política do MRCD incluía a formação de um braço armado denominado FLN, mas meu trabalho dizia respeito à plataforma política, e minha função era diplomática", acrescentou. O FLN reivindicou uma série de ataques em Nyungwe, na fronteira com o Burundi.

Durante o genocídio tutsi, no início da década de 1990, o hutu Rusesabagina usou sua influência como diretor de um hotel frequentado por diplomatas em Kigali para garantir uma fuga segura para cerca de 1,2 mil pessoas.

A história foi parar no cinema com o filme "Hotel Ruanda", no qual o ativista é interpretado por Don Cheadle. Rusesabagina saiu de Ruanda em 1996, alegando que não havia espaço para a oposição.

Kagame, um dos líderes da guerrilha tutsi que derrotou os genocidas, assumiu o poder formalmente em 2000 e não deu mostras de que pretende abandonar o cargo.

O genocídio de 1994 deixou entre 800 mil e 1 milhão de mortos em apenas três meses, em um país com pouco mais de 10 milhões de habitantes.

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Ansa - Brasil   
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