Guerras mudam o foco dos jatos para as armas no gigantesco Salão Aeronáutico de Farnborough
Espera-se que os riscos de segurança, que vêm aumentando vertiginosamente, coloquem a defesa em destaque no Salão Aeronáutico de Farnborough, no Reino Unido, enquanto as fabricantes aeroespaciais e de armamentos lutam para acompanhar a demanda por armas e, ao mesmo tempo, consolidar uma frágil recuperação na produção de jatos civis e motores.
Com a guerra na Ucrânia em seu quinto ano e um cessar-fogo em frangalhos no Golfo Pérsico, esses riscos também devem fazer com que a tradicional disputa entre a Boeing e a Airbus por encomendas de aviões de passageiros passe para um segundo plano no evento, que ocorrerá de 20 a 24 de julho.
"O ambiente de segurança global está, sem dúvida, mais complexo e volátil hoje do que temos visto em muitas e muitas décadas, e estamos observando as ameaças à segurança evoluírem em um ritmo alucinante", afirmou o marechal-chefe da Força Aérea Harv Smyth, chefe da Força Aérea Real britânica, em uma Conferência Internacional de Chefes das Forças Aéreas antes da feira.
Os fabricantes de armas chegam a sua feira bienal testemunhando o maior aumento nos gastos com defesa na Europa desde a Guerra Fria, mas com questões ainda não resolvidas sobre onde e como esses recursos serão gastos.
Uma das figuras mais influentes do setor alertou que a mudança para drones e sistemas de inteligência artificial poderia revolucionar a defesa tanto quanto a SpaceX transformou o setor de lançamentos espaciais, à medida que as guerras na Ucrânia e no Irã expõem a necessidade de desenvolvimentos mais rápidos e produção em massa.
"Conheço os dois mundos e eles não poderiam ser mais distantes um do outro", disse o ex-presidente-executivo da Airbus, Tom Enders, que é copresidente da startup alemã de defesa Helsing e dirige o think tank de política externa DGAP.
"Costumávamos dizer que as empresas tradicionais de defesa… só pegavam uma caneta se o governo pagasse por isso", disse ele em uma entrevista na véspera da feira.
"As empresas mais jovens são agressivas, não avessas ao risco. Elas gastam seu próprio dinheiro. Órgãos de aquisição e Forças Armadas compreendem cada vez mais que esse é o caminho para um setor dinâmico e em rápida evolução", disse Enders, que também preside a fabricante de tanques KNDS.
Embora parte dos novos recursos orçados seja destinada a aeronaves de combate atuais, como o F-35, da Lockheed Martin, e o Eurofighter — ambos realizando exibições na próxima semana —, startups como a Helsing e a Anduril, sediada nos Estados Unidos, estão promovendo sistemas baseados em IA, como esquadrões de caças não tripulados, apesar dos contratempos iniciais.
"As avaliações estão se inclinando a favor dos novos participantes do setor de defesa, mas... a maioria das Forças Armadas ainda está gastando a maior parte de seus recursos em plataformas tripuladas", disse Byron Callan, sócio-gerente da empresa de pesquisa Capital Alpha.
Os organizadores afirmaram que o setor de defesa representará metade do número recorde de 1.600 expositores na feira, um aumento em relação aos 40% registrados historicamente, com um forte crescimento no número de empresas de IA, deep tech e finanças.
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