Guerra no Oriente Médio pressiona Iraque e Macron alerta para risco de expansão do conflito
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou neste sábado (28) que é preciso "fazer tudo" para evitar que o Iraque seja arrastado pela escalada em curso no Oriente Médio. O alerta do presidente francês sobre o risco de o Iraque ser engolido pela guerra ocorre em meio a um cenário de tensão crescente que já ultrapassa fronteiras e envolve atores estatais e milícias regionais.
Macron lamentou o que chamou de "aumento dos ataques contra instituições iraquianas", incluindo uma "ação inaceitável" que atingiu, neste sábado, uma residência secundária do presidente do Curdistão autônomo.
Na quarta-feira, sete soldados iraquianos morreram em bombardeios contra uma base militar do país. O ataque foi atribuído aos Estados Unidos por antigos integrantes do Hachd al-Chaabi, uma coalizão paramilitar incorporada às forças oficiais do Iraque.
Parte desses grupos, alinhados ao Irã, já reivindicou diversas ações contra a presença militar norte-americana no Iraque e em outras áreas do Oriente Médio.
Desde o recrudescimento da guerra na Faixa de Gaza após os ataques do Hamas contra Israel em outubro de 2023, o conflito passou a irradiar instabilidade por toda a região. Países como Líbano, Síria, Iêmen e o próprio Iraque se tornaram palcos indiretos de confrontos, muitas vezes por meio de grupos armados aliados ao Irã.
Iraque no centro de pressões cruzadas
O Iraque ocupa uma posição particularmente delicada. Aliado estratégico dos Estados Unidos desde a invasão de 2003, o país também mantém fortes vínculos políticos, econômicos e militares com o Irã. Esse equilíbrio instável tem sido colocado à prova.
De um lado, cerca de 2.500 militares norte-americanos seguem no território iraquiano com a missão oficial de combater remanescentes do Estado Islâmico. De outro, milícias xiitas integradas ao aparato estatal — como o Hachd al-Chaabi — têm ligação direta com Teerã e veem a presença dos EUA como uma ocupação.
Segundo reportagens recentes de imprensa internacional, essas milícias intensificaram ataques com foguetes e drones contra bases norte-americanas no Iraque e na Síria. Em resposta, Washington tem realizado bombardeios pontuais contra alvos ligados a esses grupos — o que inclui episódios como o que matou soldados iraquianos citado pelo presidente francês.
A situação é agravada pela fragilidade política interna do Iraque, que ainda enfrenta divisões sectárias entre xiitas, sunitas e curdos, além de instituições estatais parcialmente capturadas por grupos armados. Soma-se a isso a forte dependência econômica do petróleo e a influência simultânea de Estados Unidos e Irã sobre o país, o que torna ainda mais difícil manter estabilidade e autonomia em meio à escalada regional.
Escalada regional e guerra "por procuração"
Especialistas ouvidos por jornais como o Financial Times e a Al Jazeera descrevem o momento atual como uma "guerra por procuração ampliada". O Irã evita confronto direto com os Estados Unidos e Israel, mas apoia uma rede de grupos armados — do Hezbollah no Líbano às milícias iraquianas e aos houthis no Iêmen.
O arranjo permite pressão constante sobre interesses norte-americanos e israelenses sem desencadear, ao menos por enquanto, uma guerra aberta entre Estados.
No entanto, o risco de erro de cálculo é alto. Ataques como o que atingiu a residência ligada à liderança do Curdistão iraquiano indicam que a violência está se expandindo para dentro das estruturas institucionais do país — um sinal preocupante para analistas.
O temor europeu
A declaração de Macron reflete uma preocupação mais ampla entre líderes europeus: a de que o conflito se transforme em uma guerra regional de grandes proporções, com impactos diretos sobre segurança, migração e energia.
A Europa já sente efeitos indiretos, como tensões no transporte marítimo no Mar Vermelho e volatilidade nos preços do petróleo.
Com agências