Oposição critica batida policial contra eurodeputada em Roma
Ilaria Salis disse ter abordada por agentes em seu quarto de hotel
A oposição italiana cobrou esclarecimentos após uma eurodeputada de esquerda ter sido alvo de uma batida policial em seu quarto de hotel em Roma, neste sábado (28), horas antes de uma manifestação popular na capital.
A ativista e política Ilaria Salis, da coligação Aliança Verdes e de Esquerda (AVS), disse ter sido acordada pela polícia por volta de 7h30 (horário local), quando agentes bateram na porta de seu quarto e ordenaram que ela a abrisse.
"Eu abri, eles me pediram um documento, que eu entreguei. Também mencionei que sou membro do Parlamento Europeu. Não explicaram o motivo da visita, afirmaram simplesmente que se tratava de uma verificação", contou a eurodeputada durante o protesto "No Kings" ("Sem Reis"), em Roma.
O ato é inspirado em um movimento contra as políticas do presidente Donald Trump nos Estados Unidos e também critica os aumentos dos gastos com armamentos nos países ocidentais. Segundo os organizadores, o protesto em Roma neste sábado reuniu cerca de 300 mil pessoas, mas a polícia contabiliza apenas 25 mil.
"Fizeram-me uma série de perguntas sobre a minha chegada a Roma, quando eu tinha chegado, como tinha chegado... Mas também perguntas sobre a manifestação: se eu pretendia ir, se eu tinha algum objeto perigoso. A revista durou cerca de uma hora, mas não me deram nenhuma intimação", acrescentou Salis.
Inicialmente, a eurodeputada e a oposição insinuaram que a batida seria reflexo de um controverso decreto aprovado pelo governo da premiê Giorgia Meloni no início de fevereiro, que autoriza medidas preventivas contra manifestantes tidos como perigosos antes de protestos.
"É inaceitável que uma parlamentar seja submetido a verificações preventivas. O governo Meloni decidiu submeter parlamentares da oposição a controles? Exigimos esclarecimentos sobre este assunto", diz um comunicado assinado pelos deputados Angelo Bonelli e Nicola Fratoianni, líderes da AVS.
Mais tarde, fontes da Polícia de Estado informaram que a ação contra Salis teria nascido de um pedido da Alemanha. Segundo investigações alemãs, a eurodeputada é suspeita de ligações com grupos antifascistas que teriam se envolvido em agressões contra expoentes de extrema direita, e não se exclui que a batida deste sábado esteja relacionada a esse motivo.
Nesse contexto, Fratoianni cobrou que o governo italiano convoque o embaixador de Berlim em Roma para prestar esclarecimentos. "Queremos saber o que está acontecendo. Exigimos que as autoridades da República nos digam o que estão fazendo. Queremos que o governo da República nos dê essas respostas", disse.
Professora de carreira, Salis ficou mais de um ano presa na Hungria sob a acusação de participar de um ataque contra manifestantes de extrema direita em Budapeste, em fevereiro de 2023, e só foi libertada após ser eleita para o Parlamento Europeu, em junho de 2024.