Guerra e fake news: como imagens antigas alimentam boatos sobre mortes de soldados dos EUA
De acordo com o Comando Militar dos Estados Unidos para o Oriente Médio, ao menos quatro soldados americanos morreram e outros quatro ficaram gravemente feridos durante a operação militar lançada contra o Irã. "A América vingará sua morte", declarou Donald Trump. Nesse contexto, várias informações falsas têm circulado, exagerando o número de baixas nas forças americanas.
Nesta segunda-feira (2), o Comando Central dos EUA (Centcom) confirmou a morte do quarto militar: "Gravemente ferido nas primeiras ofensivas iranianas, ele não resistiu. As operações de combate continuam, e nossas ações de resposta estão em curso". Nas redes sociais, contas iranianas pró-regime tentam fazer crer que as perdas reais seriam muito superiores ao balanço oficial.
Para isso, alguns perfis reutilizam imagens antigas. É o caso de um vídeo que voltou a circular no X (antigo Twitter), mostrando soldados americanos retirando um caixão de um avião militar. A legenda - falsa - afirma: "URGENTE: 560 americanos morreram por Israel nas últimas 48 horas".
A gravação, na verdade, foi filmada em 2011 e pode ser vista na página Youtube da Marinha norte-americana. Ela retrata o retorno ao país de quatro militares mortos durante a operação New Dawn, no Iraque. Ou seja: a imagem não tem relação com a situação atual no Oriente Médio. A afirmação de que "560 soldados americanos teriam sido mortos" é totalmente inventada.
Outra imagem semelhante, que somava no final do dia mais de três milhões de visualizações, também é apresentada como se fosse recente. Ela mostra soldados transportando caixões cobertos pela bandeira dos Estados Unidos para o interior de um avião. A sugestão é de que a foto teria sido tirada durante a atual operação contra o Irã.
A imagem foi retirada de seu contexto original: ela pertence a um banco de fotos e registra uma cerimônia realizada em 28 de outubro de 2009, na pista do aeródromo de Kandahar, no Afeganistão, em homenagem a oito militares mortos no dia anterior em duas explosões distintas. Os corpos estavam sendo embarcados rumo à base de Fort Lewis, no estado de Washington.