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'Guerra de Todo o Povo': Maduro evoca Fidel e envia milícia armada para fronteira com Colômbia

O presidente Nicolás Maduro anunciou o envio de mil voluntários ao Estado de Apure, onde confrontos entre militares venezuelanos e dissidentes das Farc forçaram 6 mil pessoas a deixarem suas casas.

15 abr 2021
10h05 atualizado às 10h11
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A Milícia Bolivariana é formada por civis partidários do governo socialista armados e treinados
A Milícia Bolivariana é formada por civis partidários do governo socialista armados e treinados
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

"Ratifico a ordem à FANB (Forças Armadas Nacionais Bolivarianas) e à Milícia Bolivariana no Estado de Apure, de aplicar a doutrina: Guerra de Todo o Povo contra grupos irregulares e terroristas colombianos. União Cívico-Militar-Policial em defesa da soberania venezuelana. Tolerância zero!"

Com a mensagem publicada nesta terça-feira em sua conta no Twitter, o presidente venezuelano Nicolás Maduro confirmou a decisão de seu governo de enviar mil milicianos ao Estado de Apure (sudoeste do país), onde desde 21 de março acontecem confrontos entre dissidentes da ex-guerrilha Farc e milicianos voluntários venezuelanos.

A Milícia Bolivariana é um órgão formado por civis ideologicamente alinhados ao governo socialista da Venezuela, que foram treinados e armados para atuar como um componente adicional das FANB.

Desde sua criação, sob o governo de Hugo Chávez, esse grupo tem sido alvo de polêmicas. O falecido presidente queria incorporá-lo às Forças Armadas Bolivarianas em sua proposta de reforma constitucional rejeitada pelos eleitores em 2007.

Em fevereiro de 2020, essa incorporação finalmente se deu por meio de uma reforma da Lei das FANB aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte, que é controlada pelo Chavismo.

Críticos de Maduro não reconhecem o poder da Assembleia Constituinte e a acusam de usurpar poderes que são do Parlamento.

'A Guerra de Todo o Povo'

Por trás da criação dessa milícia estava a ideia de Chávez de promover a união "cívico-militar", de preparar o país para uma possível "guerra assimétrica" contra os Estados Unidos, inspirada em um conceito da doutrina militar cubana conhecida como "Guerra de Todo o Povo", que prevê que face a um "eventual ataque do imperialismo", as Forças Armadas serão reforçadas pela milícia e pelo "povo armado".

Maduro disse terça-feira (13/4) que diante do que está acontecendo em Apure deve haver uma "guerra de todo o povo" e que esta experiência serve como "ensino para defender o território contra os grupos armados do Comando Sul" dos EUA e do governo da Colômbia.

Mais de 6 mil pessoas se mudaram da Venezuela para a Colômbia, fugindo dos confrontos armados em Apure
Mais de 6 mil pessoas se mudaram da Venezuela para a Colômbia, fugindo dos confrontos armados em Apure
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Cerca de 6 mil moradores de Apure tiveram que cruzar a fronteira com a Colômbia para fugir desses confrontos armados, nos quais morreram 8 soldados venezuelanos, segundo autoridades daquele país.

O comandante da Milícia Bolivariana, General de Brigada Manuel Bernal Martínez, disse que os mil milicianos que enviarão a Apure são voluntários e que atuarão como "milícia humanitária para proteger as comunidades" da região.

Em Cuba, a Guerra de Todo o Povo está prevista na Lei de Defesa Nacional, aprovada em 1994, como parte da doutrina militar daquele país.

Segundo esta legislação, a Guerra de Todo o Povo, como concepção estratégica defensiva do país, "sintetiza a experiência histórica acumulada pela nação; baseia-se na implantação do sistema defensivo territorial como suporte do seu poder militar e no mais diversificado emprego de todas as forças e recursos da sociedade e do Estado".

No entanto, as origens desta doutrina estão ligadas ao pensamento de Fidel Castro, que desde os primeiros anos da revolução cubana foi a favor da incorporação maciça da população civil na defesa do país.

Em 1959, o falecido presidente cubano descrevia seu pensamento que levou à criação da doutrina: "Quando cada fábrica é uma fortaleza, quando cada sindicato é um baluarte da Revolução, quando cada esquina, cada rua, cada bairro, cada colina, cada estrada, cada árvore tem um homem para defendê-lo; quando cada um dos lugares onde trabalham os 3 mil delegados deste Congresso são fortalezas da Revolução e os trabalhadores têm disciplina e os trabalhadores estão unidos e os trabalhadores têm formação e os trabalhadores sabem lutar; e quando ao lado dessa força tremenda e invencível está a força dos camponeses em cada cooperativa, em cada pedaço de terra - que a Revolução lhes deu - em cada montanha, em cada rio, em cada vale, em cada pedra, quem poderá ganhar esta revolução?"

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