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Governo Meloni prepara mudança em sistema eleitoral a 1 ano de voto

Partidos da base aliada chegaram a acordo sobre sistemas de listas

14 jul 2026 - 11h11
(atualizado às 12h09)
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Os partidos da coalizão da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, chegaram a um entendimento sobre o projeto para alterar o sistema eleitoral do país, enquanto a oposição critica o governo por tentar mudar as regras do jogo faltando cerca de um ano para as eleições legislativas de 2027.

Premiê Giorgia Meloni durante sessão no Parlamento, em foto de arquivo
Premiê Giorgia Meloni durante sessão no Parlamento, em foto de arquivo
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O atual sistema eleitoral italiano elege 63% dos deputados e senadores através do voto proporcional, ou seja, com o número de assentos no Parlamento distribuídos de acordo com o percentual obtido por cada partido ou coligação.

Já os 37% restantes são escolhidos em uma espécie de voto distrital, com a divisão da Itália em diversos colégios majoritários, onde é eleito apenas o candidato mais votado em cada um.

Esse modelo permitiu que a coalizão de Meloni, com 43,79% dos votos para a Câmara e 44,02% para o Senado, alcançasse maioria confortável nas duas casas nas eleições de 2022, garantindo uma estabilidade rara para a premiê, cujo governo já é o segundo mais longevo da Itália republicana.

Naquela ocasião, no entanto, a oposição disputou o pleito dividida, o que favoreceu a coligação de direita nos colégios distritais, cenário que não deve se repetir no ano que vem, com a expectativa de uma aliança nacional entre as forças de centro-esquerda.

O projeto de reforma defendido por Meloni prevê acabar com o componente majoritário, criando um modelo 100% proporcional, porém com um prêmio de "governabilidade" de 70 assentos na Câmara e 35 no Senado para a coalizão que atingir 42% dos votos.

Ao longo das últimas semanas, os partidos governistas se mostraram divididos a respeito do direito de o eleitor indicar na cédula o nome de um ou mais parlamentares, mas a questão parece ter sido resolvida.

Uma emenda apresentada pelo Irmãos da Itália (FdI), partido de Meloni, e que obteve a adesão do Força Itália (FI) e da Liga, legendas dos vice-premiês Antonio Tajani e Matteo Salvini, prevê que o primeiro nome nas listas eleitorais de cada sigla ou coligação seja bloqueado. Ao mesmo tempo, o eleitor poderá assinalar os nomes de até três candidatos da mesma lista ao Parlamento.

Dessa forma, se um partido conquistar mais de um assento em determinado colégio eleitoral, o primeiro eleito será o nome definido pela própria legenda, enquanto os restantes respeitarão a preferência do eleitorado.

Porém a solução é criticada pela oposição, que aponta o risco de se ampliar a histórica desigualdade na representação de gênero no Parlamento. "Votaremos contra essa emenda, que é um falso compromisso para desmontar o respeito à alternância de gênero. Se ela for aprovada, os líderes das listas poderão ser todos homens. Para defender seu poder, Meloni está disposta a sacrificar as outras mulheres", disse a deputada Elly Schlein, secretária do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda.

O sistema atual exige que, em cada região, um mesmo partido não pode ter mais de 60% de líderes de listas de um mesmo sexo e que os candidatos sigam uma ordem alternada entre homens e mulheres. "Tem um problema que diz respeito às mulheres, mas eu garanto que elas terão ampla representação nas listas", declarou Tajani após uma reunião com parlamentares do Força Itália.

Ansa - Brasil
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