Governo Biden aplica primeiras sanções contra Irã
Medida atinge 2 membros da Guarda Revolucionária
O governo de Joe Biden anunciou nesta terça-feira (9) suas primeiras sanções contra o Irã por conta da violação de direitos humanos. No entanto, as medidas não devem causar grande impacto porque atingem apenas a proibição de entrada nos EUA de dois membros da Guarda Revolucionária que usaram "força excessiva" no depoimento de presidiários.
"Hoje no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, nós expressamos claramente as nossas preocupações sobre os abusos que o governo iraniano continua a causar nas relações com seus cidadãos, em particular, a detenção injusta de muitas pessoas em condições deploráveis", afirmou o secretário de Estado, Antony Blinken, em comunicado.
O representante de Washington afirmou que continuará a buscar "todos os meios apropriados" para que os responsáveis dos abusos e "dos atentados aos direitos humanos sejam responsabilizados".
O anúncio desta terça não teve repercussão ampla no governo de Teerã, que aproveitou o dia apenas para reforçar que não está disposto a renegociar o acordo nuclear firmado em 2015 e cobrou os demais signatários a cumprir as regras dele.
O ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, afirmou que "só o Irã" está cumprindo o que foi assinado e que Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha "devem manter seus compromissos".
Porém, Zarif não mencionou o fato de que seu país está enriquecendo urânio acima do permitido pelo pacto - informação confirmada pelo próprio governo que justifica a medida pela saída dos EUA do acordo.
Já o presidente Hassan Rohani falou ao Parlamento que as sanções norte-americanas, aplicadas por Donald Trump, foram impostas "por pedido dos sionistas e dos regimes reacionários regionais" e disse que Biden "não deve adiar e nem ter vergonha de retomar os compromissos firmados no acordo nuclear".
"Vocês sabem que, se vocês fizerem, nós respeitaremos os nossos compromissos. Nesse caso, todos viveremos dias melhores e uma situação melhor acontecerá na região. Os termos para um retorno de todos os sete signatários estão definidos, e os EUA devem dar o primeiro passo", acrescentou. .