Funeral de três dias para Khamenei busca demonstrar apoio de partidários do regime
O funeral nacional do aiatolá Ali Khamenei, ex‑líder supremo do Irã morto no sábado (28) em ataques israelenses e norte‑americanos, começa na noite desta quarta‑feira (4) e seguirá por três dias, informou a agência oficial Irna. O governo convocou a população a participar das grandes cerimônias religiosas na mesquita de Mosalla - oficialmente Mesquita Imam Khomeini - em Teerã, com o objetivo de demonstrar força e unidade política.
Siavosh Ghazi, correspondente da RFI em Teerã e agências
Ali Khamenei governou o país por 36 anos. Seu corpo será velado quatro dias após sua morte. Segundo a Irna, a partir das 22h de quarta‑feira (15h30 no horário de Brasília), fiéis poderão ir à mesquita para prestar a última homenagem ao líder iraniano.
As autoridades orientaram que a população se concentre na grande mesquita no centro da capital, evitando as praças onde multidões se reuniram nos últimos dias. O templo, de arquitetura persa‑islâmica, era usado regularmente por Khamenei para conduzir a oração semanal das sextas‑feiras. Em ocasiões especiais, ele também utilizava a Mosalla, que comporta centenas de milhares de pessoas.
Khamenei, morto aos 86 anos, será enterrado em Mashhad, sua cidade natal, no nordeste do país. A data do sepultamento ainda não foi divulgada, e não se sabe se as cerimônias seguirão moldes semelhantes aos do funeral de Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica. As autoridades iranianas esperam que os três dias de rituais mostrem o apoio de seus seguidores ao líder que comandou o Irã por mais de três décadas.
Sucessor será "um alvo", adverte Israel
Desde a morte do aiatolá, a transição do poder está nas mãos de um triunvirato composto pelo presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, pelo chefe do Poder Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, e pelo dignitário religioso Alireza Arafi. Esse arranjo ficará em vigor até que a Assembleia de Especialistas escolha um novo líder supremo.
Nesta quarta‑feira, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, endureceu o tom e afirmou que qualquer novo líder escolhido pelo regime iraniano "será um alvo inequívoco para eliminação". Ele acrescentou que tanto ele quanto o primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu ordenaram ao Exército que se prepare "para agir por todos os meios necessários" para cumprir essa missão.
Uma autoridade ligada ao processo sucessório disse à agência Fars que a reunião final da Assembleia de Especialistas pode ser adiada para depois do sepultamento, por razões de segurança.
Em resposta à ofensiva liderada por Israel e pelos Estados Unidos, os Guardiões da Revolução iniciaram a operação "Promessa Sincera", lançando drones e mísseis balísticos. Segundo Teerã, o objetivo é tentar neutralizar o sistema israelense Domo de Ferro, considerado um dos mais eficientes escudos antimísseis do mundo.