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França abre investigações sobre Epstein por tráfico de pessoas e fraude fiscal

18 fev 2026 - 12h06
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A França abriu investigações ‌abrangentes sobre tráfico humano e fraude financeira entre os contatos do falecido criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein, após a divulgação de uma série de arquivos sobre suas atividades.

A promotora de Paris, Laure Beccuau, disse à rádio France Info na quarta-feira que as investigações se basearão em material ⁠disponível publicamente e em denúncias apresentadas por grupos de proteção à criança.

Uma ‌delas se concentrará no tráfico de pessoas e a outra em crimes que incluem lavagem de dinheiro, corrupção e fraude fiscal.

Epstein, que se ‌suicidou em uma prisão de Manhattan em ‌2019, havia sido condenado em 2008 por solicitar prostituição de ⁠uma menor de idade. Sua associada Ghislaine Maxwell foi condenada nos EUA por tráfico de meninas menores de idade para abuso sexual ao longo de muitos anos em conexão com Epstein.

Em uma declaração enviada por email, o gabinete de Beccuau disse esperar que a publicidade em ‌torno de Epstein incentive as vítimas de tráfico que não se manifestaram ‌anteriormente a fazê-lo agora.

Cinco promotores ⁠vasculharão os ⁠arquivos publicados em busca de indícios de que algum cidadão francês possa ter se ⁠envolvido em crimes sexuais ou ‌financeiros.

Autoridades já abriram uma investigação preliminar ‌sobre o ex-ministro da Cultura Jack Lang e sua filha Caroline por suspeita de fraude fiscal.

Também estão examinando outros três casos, incluindo suspeitas de que o diplomata francês Fabrice Aidan tenha transferido ⁠documentos das Nações Unidas para Epstein. Aidan negou a acusação.

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos incluem registros de voos e emails indicando que Epstein visitava Paris com frequência, onde possuía um apartamento de luxo perto do Arco do ‌Triunfo.

"A França tem um papel fundamental no assunto, pois é o único país fora dos Estados Unidos onde Epstein possuía propriedades", disse Homayra Sellier, ⁠da Innocence en danger, um grupo que luta contra o abuso sexual de crianças e que vinha pedindo uma nova investigação francesa.

Promotores franceses abriram uma investigação sobre as conexões de Epstein em 2019, mas a encerraram em 2023, após a morte de Jean-Luc Brunel, um importante suspeito e associado de longa data de Epstein, em uma prisão francesa.

Eles reconheceram que os dados atuais permanecem incompletos, descrevendo as investigações como "um trabalho titânico, sem saber o que resultará disso".

Na terça-feira, um painel de especialistas independentes do Conselho de Direitos Humanos da ONU sugeriu a existência de uma "organização criminosa global" ligada à rede de Epstein, alegando atos que potencialmente constituem crimes contra a humanidade.

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