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Fim de tratado Novo START entre EUA e Rússia traz temores de nova era de proliferação nuclear

O mundo entrou em uma nova fase de incerteza nuclear nesta quinta-feira (5), com a expiração oficial do tratado Novo START. Este era o último acordo de desarmamento nuclear ainda em vigor entre os Estados Unidos e a Rússia, marcando um ponto de virada histórico no controle de armas desde a Guerra Fria e gerando temores de uma nova fase de proliferação.

5 fev 2026 - 05h43
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Pela primeira vez em mais de meio século, as duas potências que detêm mais de 80% das ogivas nucleares do planeta não possuem limites vinculantes para seus arsenais estratégicos.

Barris de urânio descarregados do navio russo Baltiyskiy 202, em Dunquerque, norte da França, em 20 de março de 2023.
Barris de urânio descarregados do navio russo Baltiyskiy 202, em Dunquerque, norte da França, em 20 de março de 2023.
Foto: AFP - SAMEER AL-DOUMY / RFI

O secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu o fim do pacto como um "momento grave para a paz e a segurança internacionais", alertando que a dissolução ocorre em um período muito delicado.

 "Essa dissolução de décadas de conquistas não poderia ocorrer em pior momento — o risco do uso de armas nucleares está em seu nível mais alto em décadas", alertou António Guterres em um comunicado.

Guterres fez um apelo para que Washington e Moscou retornem à mesa de negociações sem demora para estabelecer um novo quadro sucessor que garanta a estabilidade global.

Firmado originalmente em 2010, o Novo START impunha limites rigorosos de 1.550 ogivas estratégicas implantadas e 800 lançadores e bombardeiros pesados para cada lado, contando com mecanismos de verificação mútua. No entanto, a eficácia do tratado já estava severamente comprometida desde 2023, quando as inspeções foram suspensas em decorrência da ofensiva russa em grande escala na Ucrânia.

Em setembro de 2025, o presidente russo, Vladimir Putin, chegou a propor uma prorrogação de um ano, que foi vista como uma boa ideia pelo presidente americano, Donald Trump, na época, mas os Estados Unidos acabaram por não dar seguimento à proposta.

Na quarta-feira, véspera da expiração, o governo russo declarou formalmente que não se sentia mais vinculado a qualquer obrigação ou declaração recíproca prevista no tratado. Apesar disso, em conversa com o líder chinês Xi Jinping, Putin enfatizou que a Rússia agirá de maneira ponderada e responsável diante da nova situação. O assessor diplomático russo, Yuri Ushakov, afirmou que o país permanece aberto a buscar vias de negociação para assegurar a estabilidade estratégica.

Inclusão da China

Do lado americano, o secretário de Estado, Marco Rubio, indicou que qualquer novo acordo de controle de armas no século XXI deve obrigatoriamente incluir a China. Segundo Rubio, o arsenal considerável e em rápida expansão de Pequim torna impossível um controle eficaz que envolva apenas russos e americanos.

A comunidade internacional reagiu com forte preocupação ao vácuo jurídico deixado pelo fim do tratado. O papa Leão XIV fez um apelo raro e urgente para que as potências não abandonem os instrumentos de controle sem garantir um acompanhamento efetivo, exortando os líderes a substituírem a lógica do medo e da desconfiança por uma ética compartilhada para evitar uma nova corrida armamentista.

Na Europa, a França atribuiu a responsabilidade pelo retrocesso das normas internacionais à Rússia, alertando para o desaparecimento de qualquer limite sobre os maiores arsenais nucleares do mundo. Enquanto isso, a coalizão de ONGs ICAN pediu que Washington e Moscou respeitem os limites do tratado expirado enquanto negociam um novo quadro regulatório.

Com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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