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"Ficou viva": astronautas relatam viagem para casa na Crew Dragon da SpaceX

5 ago 2020
11h41
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Os astronautas norte-americanos Bob Behnken e Doug Hurley, há dois dias em casa depois de uma marcante missão em que foram a primeira equipe da NASA a pilotar um veículo privado à órbita, relataram, nesta terça-feira, a barulhenta viagem pela atmosfera da Terra antes de aterrissarem com segurança no mar.

Equipes chegam para resgatar cápsula espacial Crew Dragon, no Golfo do México, na Flórida
02/08/2020 NASA/Bill Ingalls/Divulgação via REUTERS
Equipes chegam para resgatar cápsula espacial Crew Dragon, no Golfo do México, na Flórida 02/08/2020 NASA/Bill Ingalls/Divulgação via REUTERS
Foto: Reuters

Tocaram a água do Golfo do México, perto da Flórida, no domingo --modo de retorno de viagens espaciais para humanos que havia sido utilizado pela última vez pela NASA 45 anos atrás-- e completaram o primeiro lançamento de astronautas de solo americano em nove anos.

Em uma entrevista coletiva no Centro Espacial Johnson da NASA, em Houston, seus primeiros extensos comentários públicos desde que voltaram para casa, Behnken, 50, e Hurley, 53, descreveram os tensos momentos finais da jornada de 64 dias.

A dupla sofreu tremendas ondas de choque quando a Crew Dragon, veículo em forma de bolota construído pela SpaceX que os levou à Estação Espacial Internacional, disparou foguetes propulsores para desacelerar a descida na reentrada e depois perfurou a atmosfera externa.

"Ficou viva", disse Behnken, a repórteres, sobre os quase 12 minutos em que os propulsores queimaram. "Não parecia uma máquina, parecia um animal chegando pela atmosfera."

À medida em que a cápsula avançou pelos céus, o atrito da atmosfera chamuscou o escudo protetor térmico da Crew Dragon, com temperaturas de 1.927 graus Celsius, desacelerando sua descida para 563 km/h.

Naquele momento, o primeiro dos dois jogos de paraquedas foi ativado, diminuindo abruptamente a velocidade da cápsula um pouco mais, o que pareceu "muito com levar um golpe de um taco de beisebol nas costas da cadeira", lembrou Behnken.

"Foi um grande solavanco", disse.

O segundo jogo de paraquedas gradativamente diminuiu a velocidade da cápsula para uma queda a 24 km/h antes da aterrissagem na água que encerrou o que Hurley chamou de uma missão "impecável".

Minutos depois, equipes de resgate enviadas pela SpaceX, empresa da Califórnia financiada pelo bilionário Elon Musk, içou a cápsula ao barco. Behnken e Hurley voaram de helicóptero até a costa e pegaram um voo privado para Houston.

Os dois foram lançados à Estação Espacial Internacional em 31 de maio, embarcando em uma jornada de dois meses para provar que a cápsula Crew Dragon era segura para transportar humanos ao espaço.

Flutuando nas águas logo depois da aterrissagem, esperando as equipes de resgate, Hurley disse que completaram um último teste da missão: "Passar trotes por ligações por satélite para qualquer um que atendesse".

"Havia uma razão genuína para isso", disse Hurley, com seriedade, explicando que precisavam provar que conseguiam entrar em contato com o controle da missão usando um telefone por satélite, caso a equipe chegasse do espaço em uma parte inesperada do oceano.

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