Script = https://s1.trrsf.com/update-1784747113/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mundo

Publicidade

EXCLUSIVO-Irã enviou comandantes da Guarda Revolucionária e equipamentos de mísseis aos houthis do Iêmen

23 jul 2026 - 15h55
Compartilhar
Exibir comentários

O Irã transportou comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica, conselheiros militares e equipamentos ‌relacionados a mísseis e drones para o Iêmen neste mês, segundo quatro fontes, em uma ação que sugere que Teerã está buscando fortalecer a capacidade de seus aliados houthis de ameaçar a navegação no Mar Vermelho.

Quatro fontes a par do assunto, incluindo duas fontes iranianas, o ministro da Informação do Iêmen e um analista de segurança regional afirmaram que o Irã transferiu o pessoal da Guarda Revolucionária e equipamentos militares em um voo de Teerã para o Iêmen em 13 de julho, um fato que não havia sido divulgado anteriormente.

As duas fontes iranianas disseram à Reuters que entre ⁠10 e 21 membros da Guarda Revolucionária, incluindo comandantes de alto escalão, estavam a bordo do voo da Mahan Air.

O avião tinha como destino original ‌a capital Sanaa, controlada pelos houthis, mas foi desviado para a cidade portuária de Hodeidah, no Mar Vermelho, depois que o aeroporto sofreu um ataque do governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita.

"Os comandantes da Guarda Revolucionária viajaram até lá para apoiar as operações dos houthis e oferecer treinamento ‌sobre novos sistemas de mísseis", disse uma das fontes, acrescentando que o Irã também enviou ‌ouro na aeronave para financiar as atividades dos houthis.

As duas fontes iranianas falaram sob condição de anonimato por motivos de segurança.

Essa mobilização ⁠oferece novas evidências dos esforços do Irã para fortalecer os houthis, que estão em uma guerra civil contra o governo iemenita reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita há mais de uma década e têm atacado vizinhos do Golfo com mísseis e drones.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã não estava disponível imediatamente para comentar. Teerã negou repetidamente ter fornecido capacidade de mísseis ao movimento houthi no Iêmen.

Abdel Rahman al-Ahnomi, um porta-voz dos houthis que afirmou estar a bordo do avião, descreveu as alegações de que o Irã enviou especialistas militares ao Iêmen como "mentiras e invenções", acrescentando que todos ‌os passageiros a bordo do avião eram civis.

Os houthis já negaram anteriormente ser um representante do Irã e afirmaram que desenvolvem suas próprias armas.

DIAS APÓS A ‌CHEGADA DOS COMANDANTES, HOUTHIS LANÇARAM BLOQUEIO À ARÁBIA ⁠SAUDITA

Três dias após a chegada do voo ⁠ao Iêmen, a Reuters informou que Teerã havia pedido ao movimento houthi que se mantivesse pronto para fechar a rota de petróleo do Mar Vermelho caso ⁠os EUA atacassem a infraestrutura energética iraniana, representando uma nova ameaça ao abastecimento energético global.

Na ‌segunda-feira, o grupo, cuja área de controle no ‌Iêmen tem vista para a via navegável, anunciou um bloqueio naval à Arábia Saudita em resposta ao bombardeio de 13 de julho ao aeroporto de Sanaa, que, segundo eles, foi realizado pela Arábia Saudita.

Essas medidas sinalizaram o fim de uma trégua de quatro anos entre Riade e os houthis. A ameaça deles a uma das principais rotas de comércio marítimo do mundo se intensificou ainda mais na quinta-feira, ⁠quando o grupo afirmou ter atacado dois petroleiros sauditas.

Moammar al-Iryani, ministro da Informação do governo do Iêmen apoiado pela Arábia Saudita, confirmou as transferências de pessoal e equipamentos da Guarda em uma entrevista por telefone à Reuters na quarta-feira, citando informações de inteligência.

"A missão deles é fortalecer as capacidades militares das milícias e prepará-las para ameaçar a segurança marítima internacional no Mar Vermelho e no Estreito de Bab al-Mandab", disse ele.

Mzahem Alsaloum, analista de segurança e inteligência que acompanha os houthis e outros grupos apoiados pelo Irã ‌há anos, também confirmou a chegada dos especialistas da Guarda no voo de 13 de julho.

VOO TRANSPORTOU COMPONENTES DE MÍSSEIS E DRONES, AFIRMA ANALISTA

Ele disse que parte da carga incluía componentes relacionados a mísseis de curto e médio alcance e drones, sistemas de armas semelhantes aos usados ⁠anteriormente em ataques contra a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

Segundo Alsaloum, Teerã também enviou conselheiros militares ao Iêmen durante uma guerra com Israel no ano passado, fazendo-os passar pela Somália -- alegação que foi negada por Teerã.

Os houthis haviam anunciado voos diretos entre Sanaa e Teerã no início deste mês, afirmando que o serviço ajudaria a romper o que descreveram como um bloqueio imposto pela Arábia Saudita ao Iêmen.

Em uma coletiva de imprensa em Teerã em 20 de julho, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, disse que o voo para Sanaa em 13 de julho tinha como objetivo levar de volta para casa uma delegação houthi que havia ido a Teerã para o funeral do líder supremo iraniano assassinado, o aiatolá Ali Khamenei, bem como cidadãos iemenitas que haviam recebido tratamento médico no Irã.

Em 3 de julho, a aeronave transportou o grupo de cerca de 200 pessoas, incluindo autoridades de alto escalão, mulheres e crianças, ao Irã para o funeral. Em 13 de julho, segundo as quatro fontes, a aeronave retornou ao Iêmen transportando membros da delegação, bem como comandantes e conselheiros da Guarda.

Antes que pudesse pousar em Sanaa, o governo apoiado pela Arábia Saudita atacou o aeroporto, forçando a aeronave a desviar-se para Hodeidah, controlada pelos houthis.

As forças militares houthis afirmaram que os aviões de guerra sauditas que lançaram o ataque ao aeroporto foram forçados a deixar o espaço aéreo iemenita.

Reuters Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra