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Trump ameaça Irã e houthis; guerra no Oriente Médio está fora de controle, diz ONU

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o Irã nesta quinta-feira (23) de ser responsável pelos ataques realizados pelos rebeldes houthis do Iêmen contra dois petroleiros sauditas no mar Vermelho, na quarta-feira (22). O líder americano ameaçou Teerã e os houthis com uma "grande punição militar". Durante uma reunião no Conselho de Segurança da ONU, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a situação no Oriente Médio está "fora de controle" e "à beira do inimaginável".

23 jul 2026 - 15h43
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De acordo com Trump, em caso de nova ofensiva, os Estados Unidos "responsabilizarão o Irã e uma grande punição militar será infligida ao Irã e, naturalmente, aos houthis", escreveu o presidente americano em sua rede, Truth Social.

Segundo os houthis, os petroleiros, identificados como Encelia e Layla, teriam violado o bloqueio marítimo anunciado pelo grupo na segunda-feira (20), que havia ameaçado atacar qualquer navio que tentasse atravessar a área.

Os ataques marcam uma nova escalada da guerra no Oriente Médio, 15 dias após a retomada dos combates entre Estados Unidos e Irã, que encerrou o cessar-fogo firmado em abril. De acordo com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, os houthis "foram longe demais ao atacar a Arábia Saudita e seus navios".

O Irã prometeu nesta quinta-feira continuar suas represálias contra os Estados Unidos enquanto for alvo de ataques. O país também afirmou ter atingido depósitos de munições e tanques de combustível no Kuwait e, na Jordânia, um radar americano do sistema antimísseis THAAD e uma bateria Patriot, destinada a interceptar mísseis balísticos.

As Forças Armadas jordanianas informaram que dez mísseis e drones foram lançados em direção ao país nas últimas 24 horas, e nove foram interceptados. Nesta quinta-feira, o Exército do Kuwait informou que o posto fronteiriço de Al-Abdali foi alvo, durante a noite, de ataques realizados "por drones inimigos, que causaram danos materiais, mas não deixaram vítimas", segundo comunicado publicado na rede X.

Já as Forças Armadas americanas afirmam ter atacado alvos militares iranianos para "reduzir ainda mais a capacidade do Irã de ameaçar marinheiros civis e navios comerciais" que transitam pelo estreito de Ormuz, um dos focos centrais da crise. A imprensa iraniana ainda relatou bombardeios em Bushehr, cidade onde está localizada a única usina nuclear em operação no país, e em Shalamcheh, próxima à fronteira com o Iraque, onde duas pessoas morreram.

Outros ataques também foram registrados em Ahvaz, perto do Golfo Pérsico, em Konarak, próximo ao porto de Chabahar, no golfo de Omã, e em Sirik, nas proximidades do Estreito de Ormuz. Criticando as ações americanas, o chanceler iraniano Abbas Araghchi classificou a postura dos Estados Unidos como "irracional".

"O incêndio que os Estados Unidos estão provocando nos campos de petróleo e gás da região verá suas chamas se espalharem pelo mundo inteiro", advertiu Mohammad Mokhber, assessor do líder supremo iraniano.

Instalação petrolífera de Mangaf, no Kuwait, é alvo de ataque iraniano, em represália a bombardeios dos Estados Unidos. (18/07/2026)
Instalação petrolífera de Mangaf, no Kuwait, é alvo de ataque iraniano, em represália a bombardeios dos Estados Unidos. (18/07/2026)
Foto: RFI

Reações internacionais

A Alemanha anunciou nesta quinta-feira a retirada de dois navios militares posicionados perto do mar Vermelho. O caça-minas Fulda e o navio de apoio logístico Mosel haviam sido enviados a Djibuti para uma possível missão de retirada de minas no Estreito de Ormuz. Com a deterioração da situação regional, as embarcações serão reposicionadas para o Mediterrâneo, informou o Ministério da Defesa alemão.

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido também condenou os ataques dos houthis contra os petroleiros sauditas. "Essas ações irresponsáveis colocam vidas em risco, aumentam o perigo de uma catástrofe ambiental e comprometem a estabilidade regional, em grave violação do direito internacional", declarou o Foreign Office na rede social X, acrescentando que o Reino Unido "está ao lado da Arábia Saudita".

Disputa pelo estreito de Ormuz

A disputa entre Irã e Estados Unidos em torno do estreito de Ormuz, por onde normalmente passa cerca de um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos, desencadeou a retomada dos combates em 7 de julho.

A República Islâmica pretende cobrar taxas para a passagem de embarcações e autorizar apenas uma rota, próxima ao seu litoral, ameaçando atacar qualquer navio que descumpra as regras.Os Guardiões da Revolução afirmaram nesta quinta-feira ter interceptado três petroleiros que tentavam atravessar a região.

Em resposta, os Estados Unidos impuseram um bloqueio marítimo ao Irã. O Comando Central dos EUA (Centcom) informou que suas forças desviaram nove navios comerciais e impediram a movimentação de uma embarcação para evitar que entrassem em portos iranianos nesta quarta.

Com agências

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