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Ex-terrorista alemã de esquerda é condenada a 13 anos de prisão

27 mai 2026 - 10h46
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Veterana do grupo Baader-Meinhof, Daniela Klette, de 67 anos, foi condenada por série de assaltos. Após décadas em fuga, ela foi presa vivendo entre comunidade brasileira de Berlim e frequentando rodas de capoeira.A ex-integrante do grupo terrorista Fração do Exército Vermelho (RAF) Daniela Klette, de 67 anos, foi condenada nesta quarta-feira (27/05) a 13 anos de prisão por uma série de assaltos à mão armada cometidos após a dissolução do grupo de extrema esquerda.

Klette pertence à chamada "terceira geração" da organização terrorista anticapitalista de extrema esquerda RAF, também conhecida como "Grupo Baader-Meinhof" ou "Gangue Baader-Meinhof", que, durante a década de 1970, abalou a República Federal da Alemanha com atentados a bomba, sequestros e assassinatos realizados em nome da luta anti-imperialista. A RAF se dissolveu em 1998.

Klette, que havia sido presa em fevereiro de 2024 após 30 anos foragida, foi julgada por roubos cometidos entre 1999 e 2016 com os cúmplices Burkhard Garweg e Ernst-Volker Staub, outros dois ex-membros da RAF que continuam foragidos, para financiar suas atividades clandestinas.

O Tribunal Regional de Verden considerou comprovado que a ré, juntamente com Garweg e Staub, atacou e roubou carros-fortes e supermercados em diversas cidades da Baixa Saxônia e da Renânia do Norte-Vestfália.

Klette foi condenada por roubo qualificado, tentativa de roubo qualificado, violações das leis de armas e sequestro com extorsão.

Capoeirista na comunidade brasileira

Por anos, investigadores tentaram localizar Klette. Em fevereiro de 2024, as autoridades finalmente a prenderam num apartamento em Berlim, depois de anos vivendo tranquilamente sob identidade falsa no bairro de Kreuzberg, onde frequentava a comunidade brasileira local e rodas de capoeira, segundo a imprensa alemã.

Klette aparentemente se sentia segura em Berlim. Segundo relatos na imprensa alemã, ela pegou um voo para o Brasil com documentos falsos, fez contatos com a cena de capoeira local e publicou fotos da viagem em sua página no Facebook.

A RAF anunciou sua dissolução em 1998, numa carta que as autoridades consideram autêntica. O total de 13 assaltos que Klette, Staub e Garweg são acusados de terem cometido depois disso não tinham mais o propósito de financiar atos terroristas, mas aparentemente apenas de sustentar três velhos revolucionários. Eles teriam roubado mais de 2,7 milhões de euros.

Avaliações distintas das provas

A acusação havia solicitado uma pena de 15 anos de prisão para Klette por tentativa de homicídio, roubo qualificado e violações das leis de armas. Segundo a acusação, os três ex-membros da RAF assaltavam carros-fortes e supermercados para financiar suas vidas na clandestinidade.

Os coautores da ação também consideraram a culpa de Klette comprovada e exigiram uma longa pena de prisão. Mas, ao contrário da acusação, não classificaram o ataque a um carro-forte em 6 de junho de 2015, em Stuhr, perto de Bremen, como tentativa de homicídio, mas como tentativa de roubo qualificado.

Com isso, seguiram a avaliação do tribunal. O juiz-presidente havia indicado durante o julgamento que o tribunal provavelmente não classificaria o caso como tentativa de homicídio.

Na ocasião, três pessoas mascaradas tentaram assaltar um carro-forte que transportava aproximadamente 1 milhão de euros. Vários tiros foram disparados, colocando em risco a vida do motorista. Os assaltantes não conseguiram abrir as portas do carro-forte e fugiram de mãos vazias.

A defesa apresentou uma interpretação das provas completamente diferente da acusação e dos representantes das vítimas. Segundo os advogados de Klette, não está claro quem cometeu os assaltos. Eles enfatizaram no tribunal que não havia provas do envolvimento de Klette nos crimes.

O único crime comprovado, argumentaram os advogados, foi a violação da lei de armas, referindo-se aos itens encontrados no apartamento de Klette quando ela foi detida. Uma pena suspensa seria apropriada para esse crime, afirmou o advogado Lukas Theune. Em sua alegação final, ele exigiu a revogação do mandado de prisão.

Klette enfrenta outros processos judiciais referentes a crimes que ela teria cometido durante o período em que integrou a RAF. A sua filiação à organização terrorista de esquerda já prescreveu. No entanto, o Ministério Público Federal a acusa, entre outras coisas, de cumplicidade em três atentados cometidos pela RAF entre 1990 e 1993.

O veredito foi recebido com consternação e alvoroço por apoiadores da ex-integrante da RAF que haviam se reunido no tribunal para apoiá-la e que gritaram "liberdade para Daniela!".

as (AFP, DPA, Efe)

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