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Evita Perón: o mito que continua vivo 60 anos depois de sua morte

26 jul 2012
08h34
atualizado às 14h49
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Eva Perón, a primeira-dama da Argentina durante o primeiro governo de Juan Perón (1946-1952), morreu há 60 anos. Tida como "mãe dos pobres", sua influência permanece um marco na política e na vida dos argentinos. Ficou conhecida como Evita, um diminutivo que expressa o carinho. E alvo especialmente nas classes mais baixas, ainda serve de inspiração no país, lembrada por muitos como um ícone.

Maria Eva Duarte de Perón nasceu em meio à pobreza na cidade de Los Toldos, na zona rural da Argentina, no dia 7 de maio de 1919. Aos 15 anos, inconformada com a vida sofrida, foi a Buenos Aires em busca do sonho de virar celebridade. Contrariando os conselhos da família, buscou uma carreira como atriz, tornou-se famosa nas radionovelas e foi protagonista de uma meteórica ascensão social até chegar ao poder.

Conheceu o coronel Juan Domingo Perón durante um evento de caridade em 1944, um ano depois do golpe de Estado que instaurou no país um governo militar. Perón, que acabaria presidindo o país três vezes (1946-52, 1952-55, 1973-74), encontrou em Evita uma ouvinte atenta, que concordava com suas ideias e praticava com fanatismo a doutrina política que seria chamada, posteriormente, de peronismo. Eles se casaram em 1945. Um ano depois, promovido a general, Perón foi eleito presidente por uma esmagadora maioria de votos. Era o início de um movimento que governou a Argentina por mais de 30 anos.

Como primeira-dama, Evita supervisionou grande variedade de projetos: construiu escolas, asilos e hospitais para crianças. Seus programas sociais melhoraram as vidas de milhões de pessoas. Ela chegava a trabalhar 18 horas por dia, por vezes sem se alimentar. Distribuía doações aos mais necessitados, em busca de melhores condições de vida para os trabalhadores e os cidadãos mais pobres. Sempre coberta de joias e vestida por estilistas, era adorada pelo povo que, apesar da extravagância - ou talvez por isso - se sentia próximo da Evita.

Excelente oradora na sacada da Casa Rosada, conquistou em 1949 o direito feminino ao voto e fundou o Partido Peronista Feminino. Sua vida política durou apenas cinco anos. Um período tão intenso quanto breve, associado à ação social e à luta pela igualdade das mulheres. Após sua morte, tornou-se mito comparável a Che Guevara para seguir viva no imaginário argentino contemporâneo. Cristina Kirchner, a atual presidente, cita regularmente palavras de Evita, frequentemente com uma imagem da líder ao seu lado.

Evita morreu em 26 de julho de 1952, aos 33 anos, vítima de um câncer de útero diagnosticado em 1947 do qual ela decidiu não se tratar. Durante duas semanas, o povo desfilou em lágrimas diante de um caixão coberto de cristal.

Os militares quiseram acabar com o mito, e seu corpo embalsamado foi removido após a queda de Perón em 1955. Evita foi enterrada em segredo em Milão, na Itália, para somente ser devolvida a Perón em 1971. Após inúmeros percalços, apenas em 1976 seu corpo repousou, sem epitáfio, no cemitério da Ricoleta, em Buenos Aires.

Para alguns, uma santa; para outros, uma populista demagoga que asfixiou o país. Para muitos argentinos nas classes média e alta, assim como os militares, era a personificação do populismo antidemocrático; para o povo, ficou conhecida pela luta em favor dos mais carentes, e ainda hoje é venerada por milhões de pessoas, considerada a líder espiritual da nação, presente no imaginário dos argentinos como um mito.

Fonte: Terra
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