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Ucrânia: Zelensky demite ministro da Defesa e milhares vão às ruas em protestos

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou uma reforma ministerial no domingo (12), e o país aguarda a indicação dos novos nomes que serão submetidos pela Presidência ao Parlamento. Nesta quarta-feira (15), o ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, confirmou sua saída do cargo após ser demitido por Zelensky. A decisão levou milhares de pessoas às ruas em diferentes cidades da Ucrânia.

16 jul 2026 - 11h40
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Emmanuelle Chaze, correspondente da RFI na Ucrânia

Manifestantes protestaram em várias cidades ucranianas contra a decisão do presidente Volodymyr Zelenskiy de substituir Mykhailo Fedorov no cargo de ministro da Defesa, aqui em Lviv, na Ucrânia, em 16 de julho de 2026.
Manifestantes protestaram em várias cidades ucranianas contra a decisão do presidente Volodymyr Zelenskiy de substituir Mykhailo Fedorov no cargo de ministro da Defesa, aqui em Lviv, na Ucrânia, em 16 de julho de 2026.
Foto: © REUTERS - Roman Baluk / RFI

Poucas horas após ataques russos, centenas de ucranianos se reuniram na quinta-feira (16) em Kiev e em várias outras cidades para protestar contra a saída de Mykhailo Fedorov, no contexto da reforma ministerial promovida pelo presidente Volodymyr Zelensky.

Da capital Kiev à segunda maior cidade do país, Kharkiv, passando por Lviv, manifestações demonstraram o descontentamento da população ucraniana, que pede a recondução de Fedorov ao cargo. Cartazes exigiam que a Rada, o Parlamento ucraniano, rejeitasse as indicações de novos ministros feitas pelo presidente.

Alguns manifestantes atribuem a saída de Fedorov ao comandante-chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi. Os dois mantinham uma relação conturbada por causa das reformas iniciadas pelo ministro da Defesa, incluindo demissões determinadas por ele quando estava à frente da pasta.

Seis meses de reformas

Fedorov buscava reformar as Forças Armadas ucranianas e defendia a incorporação de novas tecnologias no campo de batalha para preservar a vida dos soldados. Ele foi nomeado para o cargo em janeiro deste ano e anunciou na noite de quarta-feira que deixaria a função.

Seu mandato à frente da Defesa durou apenas seis meses, mas sua saída causou impacto até mesmo entre integrantes da maioria governista. Durante esse período, Mykhailo Fedorov conseguiu que o sistema de internet Starlink bloqueasse o acesso das tropas russas.

Em sua mensagem de despedida do governo, ele também destacou o desenvolvimento da produção e do uso de drones, além do lançamento de uma ampla reforma das Forças Armadas e, em especial, dos contratos militares, uma medida que classificou como "impopular, mas extremamente necessária".

Com essa reforma, Fedorov havia iniciado a reformulação dos sistemas de aquisição de equipamentos militares, com o objetivo de evitar fraudes, e demitiu diversas personalidades polêmicas de seu ministério. Segundo ele, o trabalho ainda estava longe de ser concluído, mas já havia sido suficiente para irritar até mesmo o comandante-chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi.

Nomeado aos 35 anos, Mykhailo Fedorov era o ministro da Defesa mais jovem da história da Ucrânia. Ele assumiu a pasta com a missão de imprimir uma nova dinâmica ao esforço de guerra de Kiev, após quatro anos de invasão russa. Foi um dos primeiros defensores do uso cada vez maior de drones, que se tornaram indispensáveis no campo de batalha. "Adquirimos mais drones em quatro meses do que em todo o ano anterior", afirmou em seu comunicado.

O anúncio de sua saída ocorreu depois que o Parlamento ucraniano aprovou, na terça-feira, 14 de julho, a renúncia da primeira-ministra Ioulia Svyrydenko, que também era defendida pelo presidente ucraniano.

Um dos ministros mais populares

Ativistas da luta anticorrupção demonstram preocupação com a medida. "Eu me revolto contra a demissão do ministro que conseguiu bloquear o acesso dos russos ao Starlink e contra a intenção de Volodymyr Zelensky de nomear em seu lugar, para o cargo de ministro da Defesa, o atual ministro do Interior [Ihor Klymenko, NDLR], que dirige uma das estruturas mais corruptas do país", diz Martina Boguslabets, diretora da ONG anticorrupção Mezha.

A saída de Fedorov, um ministro visto pela maioria dos ucranianos como inovador e eficiente, é percebida como um retrocesso. A mobilização popular lembra a do ano passado, que ocorreu após a tentativa do governo de limitar a atuação das agências anticorrupção.

Desta vez, a população teme que um ministro considerado honesto e eficaz tenha sido afastado justamente por causa de sua popularidade e que o país volte a ficar sob a influência de uma ala mais tradicional em um momento crítico para a defesa da Ucrânia.

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