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Turquia vive 2º dia de protestos; premiê diz que não recuará

No sábado, a polícia reprimiu pelo segundo dia consecutivo uma manifestação no centro de Istambul contra o governo islamita de Erdogan

1 jun 2013
08h07
atualizado em 4/12/2013 às 15h16
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A polícia permanecerá na praça Taksim de Istambul para manter a ordem e o governo não recuará no projeto urbanístico que originou os protestos e distúrbios registrados desde sexta-feira na grande cidade turca, declarou neste sábado o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan.

Em um discurso pronunciado em Istambul, Erdogan também pediu que os manifestantes "parem imediatamente com os protestos" para não prejudicar "os visitantes, pedestres e comerciantes".

"A polícia esteve ontem, está de serviço hoje e estará novamente amanhã porque a praça Taksim não pode ser um lugar onde os extremistas fazem o que querem", declarou Erdogan em um discurso em Istambul. "Vamos reconstruir o quartel militar" previsto no projeto de remodelação da praça Taksim, disse Erdogan.

"Peço aos manifestantes que parem imediatamente com os protestos para evitar mais danos aos visitantes, aos pedestres e aos comerciantes", acrescentou.

Neste sábado, a polícia reprimiu pelo segundo dia consecutivo uma manifestação no centro de Istambul. Os violentos incidentes, registrados na sexta-feira, quando a polícia dispersou com bombas de gás lacrimogêneo uma manifestação, deixaram dezenas de feridos. Trata-se de um dos maiores protestos já registrados até agora contra o governo islamita de Erdogan, que muitos de seus opositores consideram conservador e autoritário.

A versão online do jornal Hürriyet, que cita fontes policiais, informou hoje que 81 pessoas já foram detidas nos violentos confrontos entre os manifestantes e as forças de ordem, além de um considerável aumento no número de feridos. O que começou há quatro dias como um camping para salvar o parque Gezi, adjacente à Praça Taksim, se transformou em um conflito social após uma ação de despejo na madrugada de ontem e, atualmente, aparece como um desafio político ao governo turco.

"Unidos contra o fascismo", "Renúncia ao Governo" e "Taksim está em todas as partes, a resistência também", eram alguns dos slogans cantados durante a noite em vários bairros de Istambul, tanto em zonas operárias e tradicionalmente conflituosas como em elegantes distritos da classe média-alta. As concentrações se estenderam ao longo da noite e, ao amanhecer, aproximadamente 500 pessoas bloquearam o trânsito na ponte do Bósforo ao marchar da parte asiática da cidade em direção à europeia. Grande parte das vias centrais de Istambul foi bloqueada hoje pela polícia, enquanto várias linhas de transporte público foram fechadas.

O conflito surgiu após a intenção do governo do islâmico moderado Recep Tayyip Erdogan de remodelar o parque central Gezi, um dos poucos espaços verdes do centro de Istambul. O objetivo seria a construção de um centro comercial, projeto rejeitado pela própria comissão municipal, mas defendido em público pelo primeiro-ministro. Um tribunal administrativo ordenou a paralisação das obras, mas o conflito já se estende muito além do parque: "se trata da participação cidadã em uma democracia", asseguram muitos manifestantes.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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