'Roubo do século' acelera reforma bilionária do Louvre, com nova entrada e sala para Mona Lisa
A França anunciou na segunda-feira (18) o consórcio internacional de arquitetos que comandará a maior reforma do Louvre em décadas, após uma série de crises que atingiram o museu, incluindo o roubo de joias avaliado em US$ 100 milhões. O projeto, batizado de "Louvre - Novo Renascimento", prevê uma nova entrada e um espaço exclusivo para a Mona Lisa, em meio a críticas sobre superlotação e falhas de segurança no espaço cultural mais visitado do país.
A França selecionou um grupo internacional de arquitetos para conduzir a transformação do Louvre, museu que enfrenta problemas estruturais, de segurança e de gestão nos últimos anos. A reforma integra o plano "Louvre - Novo Renascimento", apresentado no ano passado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e inclui uma nova entrada e um espaço dedicado exclusivamente à Mona Lisa, obra que atrai cerca de 20 mil visitantes por dia.
O projeto foi confiado à Studios Architecture Paris, filial francesa de uma empresa internacional, e ao escritório Selldorf Architects, fundado por uma arquiteta alemã em Nova York. Uma agência francesa especializada em paisagismo e urbanismo completa o grupo vencedor. A proposta foi escolhida por um júri entre cinco finalistas.
Segundo o Ministério da Cultura da França, o consórcio foi selecionado pela "qualidade do enfoque arquitetônico e pela integração patrimonial, urbana e paisagística", além de critérios de segurança. A Studios Architecture já participou do desenho da Fundação Louis Vuitton, em Paris, e da Fundação Luma, em Arles, no sul do país.
O Selldorf Architects é conhecido por intervenções em instituições culturais de grande porte, como a mansão histórica que abriga a Frick Collection, em Nova York, e a National Gallery, em Londres. A presença de escritórios estrangeiros reflete a tendência francesa de internacionalizar projetos de renovação de grandes museus.
Orçamento bilionário e divergências sobre custos
Colaboradores de Macron estimam que o projeto custará entre US$ 730 milhões e US$ 830 milhões. Já o Tribunal de Contas francês calcula que o orçamento pode chegar a US$ 1,34 bilhão, valor que reacende o debate sobre gastos públicos em um momento de forte pressão fiscal no país.
A reforma prevê que a Mona Lisa tenha um acesso independente, com entrada específica para visitantes interessados apenas na obra de Leonardo da Vinci. A medida busca reduzir filas, melhorar a circulação interna e aliviar a pressão sobre a pirâmide de vidro e metal inaugurada em 1988, originalmente projetada para receber quatro milhões de visitantes por ano.
O Louvre, antiga residência dos reis franceses até a mudança da corte para Versalhes no fim do século XVII, recebe hoje cerca de nove milhões de visitantes anuais. A discrepância entre a capacidade original e o fluxo atual é apontada como um dos fatores que justificam a reestruturação.
Museu vive sequência de crises e escândalos
O museu tornou-se alvo de preocupação nacional após uma série de incidentes recentes. Em outubro, o roubo de joias da antiga coleção da Coroa francesa — avaliada em US$ 100 milhões — expôs fragilidades no sistema de segurança. O episódio gerou forte repercussão internacional e levou a questionamentos sobre a gestão do acervo.
Além do roubo, o Louvre enfrentou greves, uma fraude no sistema de venda de ingressos que pode ter causado prejuízo de US$ 11,7 milhões, uma grave infiltração e diversos problemas estruturais e de manutenção. A soma de incidentes reforçou a percepção de que o museu precisava de uma intervenção profunda.
A reforma também busca modernizar fluxos internos, ampliar áreas de acolhimento e reforçar protocolos de segurança, em linha com padrões adotados por grandes museus internacionais. O governo francês considera o projeto estratégico para preservar a imagem do Louvre como símbolo cultural global.
Mona Lisa ganha sala exclusiva
A nova entrada será instalada na fachada leste do museu, uma área historicamente menos utilizada pelo público. A mudança pretende reduzir a superlotação da pirâmide, que se tornou um gargalo desde que o número de visitantes mais que dobrou nas últimas décadas.
A criação de um acesso exclusivo para a Mona Lisa responde a críticas recorrentes sobre a experiência de visitação. A obra, que ocupa uma sala relativamente pequena, provoca congestionamentos e dificulta a circulação. A expectativa é que a nova configuração distribua melhor o público e reduza o tempo de espera.
O projeto também prevê intervenções paisagísticas e urbanísticas no entorno do museu, com o objetivo de integrar melhor o Louvre à malha urbana de Paris e melhorar a acessibilidade. A proposta vencedora foi elogiada por combinar preservação histórica com soluções contemporâneas.
Próximos passos e cronograma ainda indefinido
O governo francês ainda não divulgou o cronograma detalhado das obras, que devem ocorrer por etapas para evitar o fechamento total do museu. A expectativa é que a reforma se estenda por vários anos, dada a complexidade do edifício e o volume de intervenções previstas.
Especialistas apontam que o desafio será equilibrar preservação patrimonial, modernização e manutenção do fluxo turístico. O Louvre é um dos principais motores econômicos do setor cultural francês, e qualquer interrupção prolongada pode ter impacto significativo.
A reforma é vista como uma oportunidade para reposicionar o museu no cenário internacional e responder às críticas sobre superlotação, desgaste estrutural e falhas de segurança. O governo aposta que o "Novo Renascimento" marcará uma nova fase para o espaço cultural mais visitado da França.
RFI com AFP
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