O papa Bento XVI carrega a joia em ouro maciço desde 2005
Foto: AFP
O Vaticano mostrou nesta quarta-feira, de forma excepcional, o palácio de Castel Gandolfo e o dormitório no qual se alojará Bento XVI provisoriamente quando deixar de ser papa, um quarto no qual nasceram 50 crianças durante a 2ª Guerra Mundial, filhos de italianos que ali se refugiaram.
A cidade de Castel Gandolfo, banhada pelo lago Albano, se encontra a 30 quilômetros ao sul de Roma, e em 1626 o papa Urbano VIII ordenou a construção da residência de campo para passar o verão.
Desde então, detalhou Saverio Petrillo, diretor da Vila Pontifícia de Castel Gandolfo, a Igreja Católica teve 31 papas, dos quais apenas 15 pisaram no palácio e se hospedaram nele.
Um deles foi Bento XVI, que ao longo de seus quase oito anos de pontificado passou longas temporadas ali, onde escreveu parte da trilogia Jesus de Nazaré.
"Aqui tenho tudo, o lago, a montanha e vejo o mar", afirmou Bento XVI após tomar posse do palácio, uma frase que o prefeito da cidade gravou em uma placa e colocou em uma praça.
Bento XVI abandonará o Vaticano às 17h (hora local) do dia 28 de fevereiro em helicóptero e 15 minutos depois estará em Castel Gandolfo, onde permanecerá por dois meses, até que sejam concluídas as obras de restauração do mosteiro de Mater Ecclesia, no recinto do Vaticano, onde ficará definitivamente.
Assim que chegar a Castel Gandolfo, está previsto que Bento XVI cumprimente aos moradores da varanda da fachada principal, naquela que será a sua última aparição pública como papa.
Depois se instalará nos dois andares que compõem o apartamento papal, que inclui o dormitório do pontífice, os quartos dos secretários e das quatro laicas consagradas que cuidam dele e que vão acompanhá-lo nesta nova etapa, além de uma capela privativa.
Petrillo contou que entre janeiro e junho de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, cerca de 10 mil pessoas se refugiaram no palácio. Durante aqueles meses nasceram no palácio 50 crianças, que vieram ao mundo no atual dormitório papal, transformado em berçário.
Na juventude, Joseph Ratzinger serviu como assistente de forças militares alemãs durante a Segunda Guerra Mundial. Nesta foto, de 1943, ele tinha 16 anos
Foto: AFP
Em 1952, durante missa na Alemanha
Foto: AP
Nesta foto, de 1959, Joseph Ratzinger posa ao lado de um piano em um escritório. Na época, Ratzinger, com 32 anos, era professor de teologia dogmática em Freising, na Bavária
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Nos anos 1970, antes de se tornar cardeal
Foto: AP
Em maio de 1977, Joseph Ratzinger foi ordenado arcebispo de Munique e Freising pelo bispo de Berlim, o cardeal Alfred Bengsh. Foi um dos passos que o levariam ao papado em 19 de abril de 2005
Foto: AFP
Então cardeal, Joseph Ratzinger participa de missa ao lado da Madre Teresa no 85º dia dos católicos alemães, em Freiburg. O evento ocorreu de 13 a 19 de setembro de 1978
Foto: AP
Nesta foto de 1979, Joseph Ratzinger posa ao lado do papa João Paulo II. Em 1981, Ratzinger passou a cumular cargos na Igreja Católica Romana. Foi nomeado líder da Congregação para a Doutrina da Fé e presidente da Comissão Bìblica Pontífica e da Comissão Teológica Internacional
Foto: AP
Em 1994, ratzinger já gozava de fama entre católicos. Nesta imagem, feita em junho, ele autografa uma publicação no aniversário de 1240 anos da cidade alemã de Fulda
Foto: AFP
Em 2005, Ratzinger foi fotografado cumprimentando o papa João Paulo II, que morreria no mesm oano
Foto: Osservatore Romano / EFE
Em 18 de outubro de 2003, Ratzinger acompanhava o papa João Paulo II no aniversário de 25 anos da eleição de João Paulo. Cardeais do mundo inteiro compareceram ao evento no Vaticano
Foto: AFP
Em 8 de abril de 2005 o cardeal Ratzinger (centro) passa em frente ao caixão de João Paulo II na praça São Pedro, no Vaticano. Ratzinger já era um dos líderes mais importantes do catolicismo
Foto: Filippo Monteforte / AFP
Dias depois de abençoar o caixão de João Paulo II, Ratzinger acena para a multidão pela janela da Basílica de São Pedro, agora como o Papa eleito, no dia 19 de abril de 2005
Foto: Patrick Hertzog / AFP
Em 24 de junho de 2005, um dos primeiros atos políticos do Papa Bento XVI, que visitou o presidente italiano Carlo Azeglio Ciampi. Na foto, ele acena para o público ao passar pela guarda Corazzieri (guarda montada presidencial italiana), na frente do palácio presidencial de Quirinale
Foto: Giulio Napolitano / AFP
Papa Bento XVI acena para peregrinos de um barco cruzando o rio Rhine em Colônia, sua terra natal, em 18 agosto de 2005. Essa foi a primeira visita de Joseph Ratzinger como o Papa ao local emque nasceu. Mais de 400 mil jovens católicos de cerca de 200 países compareceram ao encontro
Foto: Patrick Hertzog / AFP
No Brasil, em 11 de maio de 2007, o Bento XVI compareceu à missa pela canonização do Frei Galvão no Campo de Marte, em São Paulo. Quase um milhão de pessoas compareceram à cerimônia que canonizou o primeiro santo nascido no Brasil
Foto: Arturo Mari/Osservatore Romano / AFP
Na véspera de completar 82 anos, o Papa acena para peregrinos na praça São Pedro no dia 15 de abril de 2009, ao lado do seu secretário, o bispo George Gaenswein
Foto: Alberto Pizzoli / AFP
Na sua segunda passagem pela África, Bento XVI abençoa uma criança no seminário de São Gall, em Ouidah. A foto foi feita em 19 de novembro de 2011
Foto: Vincenzo Pinto / AFP
Ao final do Angelus de 2012, no dia 29 de janeiro, Bento XVI olha para a pomba que soltou de uma janela no Vaticano. A imagem foi capturada pelo setor de imprensa do Pontífice
Foto: Osservatore Romano / AFP
Na sua última aparição pública antes do anúncio da renúncia, no domingo, 10 de fevereiro de 2013, o Papa Bento XVI conduziu a oração do Angelus
Foto: Gregorio Borgia / AP
Papa Bento XVI é cumprimentado pelo cardeal Angelo Sodano, decano do colégio de cardiais da Igreja Católica, logo após o anúncio da renúncia neste dia 11 de fevereiro
Foto: Osservatore Romano / AP
Dois dias após o surpreendente anúncio, o Papa rezou a tradicional missa de Quarta-feira de Cinzas
Foto: Stefano Rellandini / Reuters
Mesmo após anunciar a saída do Trono de Pedro, Bento XVI seguiu com a agenda normal. No domingo, 23 de fevereiro, o Papa recebeu o presidente italiano, Giorgio Napolitano, em uma audiência no Vaticano.
Foto: AP
Na quarta-feira, 27 de fevereiro, um dia antes de renunciar, Bento XVI participou de sua última audiência pública como Sumo Pontífice
Foto: AFP
Bento XVI abençoa bebê durante desfile de papamóvel ao chegar à Praça São Pedro
Foto: Reuters
Cerca de 150 mil pessoas ocuparam a Praça São Pedro para acompanhar a cerimônia de despedida do Papa
Foto: AFP
Em seu pronunciamento, Bento XVI afirmou que, apesar de deixar suas atividades oficiais, seguirá acompanhando o caminho da Igreja. "Dei este passo com plena consciência da sua gravidade e inovação, mas com uma profunda serenidade de espírito", disse
Foto: AFP
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Em agradecimento, os pais batizaram essas crianças com os nomes de Eugenio e Pio, em homenagem ao então pontífice Pio XII, Eugenio Pacelli. O Palácio de Castel Gandolfo e os jardins ocupam 55 hectares, um território maior que o próprio Vaticano.
Nas três vilas que compõem o complexo (o palácio papal, a vila Barberini e outra destinada à administração) trabalham 55 pessoas, muitas das quais vivem no recinto com suas famílias.
Os jardins têm dois quilômetros de comprimento e foram projetados por Bernini. Entre as centenas de árvores se encontra um pequeno lago com uma imagem de Nossa Senhora, um lugar onde os papas costumam descansar durante seus passeios.
O complexo pontifício também conta com uma criação de gado com vacas, das quais se obtêm cerca de 600 litros de leite todos os dias e que o Vaticano vende em seu supermercado e em algumas leiterias locais. Também há uma granja e os ovos das galinhas, assim como o leite, são muito apreciados.
Pierpaolo Turoli, responsável pela administração da Vila Pontifícia, ressaltou que o "segredo" está nos campos e que os animais estão ao ar livre, pastando.
Turoli, que trabalha na vila há mais de 40 anos, contou que um dos momentos mais cativantes durante a estadia papal é quando se realiza uma espécie de rifa com os presentes dados pelos pontífices e com os quais não se sabe o que fazer, como bicicletas, entre outros.
Da "rifa" participam os filhos e parentes dos empregados e, segundo Turoli, é digno de ver como os papas se divertem durante esse "sorteio".
O complexo de Castel Gandolfo contém também o antigo Observatório do Vaticano. Saverio Petrillo destacou a beleza do lugar e a tranquilidade que se respira nele. Uma beleza que nem todos os papas souberam ver, afirmou.
Sobre este assunto, contou que o papa Inocêncio XII (1691-1700) chegou ao palácio na tarde de um dia chuvoso e com um denso nevoeiro e "achou o lugar tão feio que foi embora e nunca mais voltou".
Petrillo reconheceu que o palácio não conta com grandes obras de arte como o Vaticano. As que mais se destacam são várias peças de tapeçaria e um conjunto de cadeiras chinesas pintadas à mão, mas acrescentou que a beleza natural da região, com o lago Albano de origem vulcânica, supre a falta de obras importantes.