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Relatório da ONU aponta que junho de 2026 foi o mês mais letal para civis na Ucrânia desde o início da guerra

Junho de 2026 foi o mês mais letal para civis na Ucrânia desde abril de 2022, após mais de quatro anos de invasão russa, segundo um relatório publicado nesta terça-feira (14) pela ONU. Em paralelo a este levantamento, Kiev acusa Moscou de executar centenas de prisioneiros de guerra.

14 jul 2026 - 13h34
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De acordo com a Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU (HRMMU), em junho "pelo menos 293 civis foram mortos e 1.990 ficaram feridos no território ucraniano", números que já vinham crescendo nos meses anteriores.

"Após o forte aumento registrado em maio, a quantidade de vítimas civis continuou a subir, atingindo o maior número total de civis mortos e feridos desde abril de 2022", afirmou a entidade em um comunicado.

O relatório revela que 45% das vítimas foram atribuídas a mísseis de longo alcance e drones, com ataques que afetaram principalmente cidades distantes das linhas de frente, incluindo Kiev (região central da Ucrânia) e Dnipro (região centro-leste).

Esta mudança no campo de batalha reflete "o uso cada vez mais frequente de armas poderosas que são letais quando usadas, principalmente, em áreas urbanas densamente povoadas", enfatiza Danielle Bell, representante da HRMMU. "Os riscos enfrentados pelos civis não só persistem, como se agravam em escala e complexidade", acrescenta.

Nos últimos meses, a Rússia intensificou os seus ataques, sobretudo com mísseis balísticos que as defesas ucranianas têm dificuldade em interceptar devido à falta de munições antiaéreas suficientes.

Neste contexto, países europeus lançaram na segunda-feira (13) uma coalizão "puramente defensiva" com o objetivo de reforçar as "capacidades antimísseis balísticos" no continente, das quais Kiev carece profundamente.

O relatório cita ainda um número recorde de ataques com drones explosivos ao longo da linha da frente desde o início da invasão, em 24 de fevereiro de 2022, quando 89 civis foram mortos e 588 feridos.

O uso sistemático desses drones pelos dois lados contribuiu para transformar a linha de frente em uma "zona da morte" que se estende por várias dezenas de quilômetros.

Kiev acusa Moscou de executar prisioneiros

Um dos episódios destacados pelo governo ucraniano para ilustrar as alegações aconteceu em fevereiro de 2024, na cidade de Avdiivka, tomada pelos russos.
Um dos episódios destacados pelo governo ucraniano para ilustrar as alegações aconteceu em fevereiro de 2024, na cidade de Avdiivka, tomada pelos russos.
Foto: RFI

A morte de civis não é o único assunto relacionado à guerra na Ucrânia a ser debatido nos últimos dias. Kiev está acusando o exército russo de ter executado dezenas de soldados ucranianos desde a invasão de 2022.

O número exato de mortos é desconhecido, uma vez que os dados variam entre diferentes fontes internas e internacionais, mas Kiev sustenta que as execuções revelam uma política deliberada por parte de Moscou.

Um dos episódios destacados pelo governo ucraniano para ilustrar as alegações aconteceu em fevereiro de 2024, na cidade de Avdiivka, envolvendo equipes da 110ª Brigada. Na ocasião, tropas ucranianas se retiravam da região, epicentro dos combates no leste do país, que estava caindo sob domínio russo.

A 110ª Brigada confirmou que vários soldados haviam sido mortos, acusando as forças russas de violar um acordo para evacuá-los. A Procuradoria-Geral abriu uma investigação sobre o "fuzilamento de prisioneiros de guerra ucranianos desarmados".

Este não seria um incidente isolado, segundo Kiev. Várias autoridades do país alegam que, a partir de 2023, as tropas russas aumentaram a frequência dessas "execuções".

"Isso decorre de uma política de Moscou que, na prática, incentivou e facilitou esses tipos de crimes, com comandantes emitindo ordens nesse sentido", disse à AFP Andriy Atamantchuk, membro da Procuradoria-Geral da Ucrânia responsável pela supervisão de casos envolvendo a execução de prisioneiros de guerra.

Moscou rejeita alegações

Um relatório da ONU do mês de junho citou 129 execuções confirmadas de prisioneiros de guerra ucranianos, e a organização já havia alertado, no ano passado, para um "aumento acentuado" nesses casos.

Até o momento, Kiev abriu 116 investigações sobre as mortes de 306 soldados de seu exército desde 2022, segundo Atamantchuk. Ele acredita que o número real provavelmente seja muito maior.

Moscou tem negado as acusações de crimes de guerra e, por sua vez, acusa Kiev de cometê-los. Segundo as Convenções de Genebra, os soldados são considerados prisioneiros de guerra - e recebem as proteções correspondentes - a partir do momento em que se rendem de forma inequívoca.

RFI com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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