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'Pior incêndio da história' na região de Madri provoca retirada de milhares de pessoas

Os incêndios que atingem a Espanha, considerados os maiores da história recente do país, provocaram a evacuação de duas novas localidades na região de Madri na tarde desta sexta-feira (24). Cerca de 40 mil pessoas já tiveram de deixar suas casas ou estão confinadas na área da capital, informou o representante do governo central na região, Francisco Martín Aguirre.

24 jul 2026 - 14h37
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A situação, diz, é "muito complicada" por causa dos ventos fortes.

"As previsões indicam que o vento vai continuar e que, consequentemente, até esta noite o incêndio poderá seguir avançando", afirmou durante entrevista coletiva. Segundo ele, "não se podem descartar novas evacuações e novos confinamentos".

"Para uma região como esta, com uma forte concentração de casas e de população, é uma catástrofe", lamentou em uma coletiva de imprensa a presidente regional, Isabel Díaz Ayuso. Agora o medo é que o incêndio na região de Madri (que queimou 6 mil hectares) e outro na província vizinha de Castela e Leão (9 mil hectares devastados) se unam, o que daria muito mais força ao fogo.

"Falta muito pouco" para que isso ocorra, alertou Nicanor Jorge Sen Vélez, o delegado do governo na região de Castela e Leão. "É uma notícia muito ruim". O incêndio de 6.000 hectares que atinge a região de Madri é composto por vários focos distintos que se transformaram em um único incêndio devido aos ventos fortes e ao calor.  

Mensagens de alerta foram enviadas aos telefones celulares dos moradores, pedindo que deixassem as cidades de Fresnedillas de la Oliva e Robledo de Chavela. O Ministério do Interior da Comunidade de Madri também confirmou a informação.

"Os incêndios estão, de fato, cada vez mais violentos e são muito difíceis de controlar. O próprio incêndio acumula tanta energia que até mesmo os bombeiros florestais têm dificuldade para prever seu comportamento", disse a porta-voz do Greenpeace na Espanha, Celia Ojeda, em entrevista à RFI.

"Os especialistas alertam para isso há anos, e esse fenômeno está relacionado, entre outros fatores, às ondas de calor e às mudanças climáticas. Estamos enfrentando a terceira onda de calor na Espanha, e as mudanças climáticas fazem com que a vegetação esteja cada vez mais seca e o solo tenha muito menos umidade", diz.

"Isso cria um verdadeiro barril de pólvora, que facilita enormemente a propagação do fogo, tanto em velocidade quanto em intensidade. Além disso, como as temperaturas não caem significativamente durante a noite, torna-se muito mais difícil combater e extinguir os incêndios", explica.

Segundo a representante do Greenpeace, as equipes estão "fazendo um bom trabalho" no combate aos incêndios. "Cada vez mais contamos com equipes de combate ao fogo, mais recursos são mobilizados, embora não todos os que seriam necessários. A resposta é mais rápida, as evacuações costumam funcionar melhor. Nem tudo está perfeito, mas estamos melhorando", observa.

O problema, diz, está na prevenção. Incêndios florestais exigem medidas de gestão adequada das florestas. Isso inclui a realização de queimadas controladas, a abertura de aceiros e o manejo mais eficiente da vegetação rasteira e do sub-bosque.

O fortalecimento da agricultura e da pecuária extensivas também preserva as áreas florestais e as comunidades rurais. Outra medida considerada essencial é a criação de zonas de proteção ao redor dos povoados, para reduzir o risco de que as chamas atinjam diretamente as áreas habitadas.

Moradores narram situação inédita

Em 29 anos vivendo em Aldea del Fresno, a cerca de 50 quilômetros do centro da capital espanhola, "nunca vivi algo parecido", diz Ecologio Cabrera, morador da região, que destacou a dimensão desse evento "sem precedentes".

Segundo as autoridades regionais, 6 mil hectares já foram consumidos pelo fogo desde quinta-feira. O homem contou que os bombeiros o retiraram de casa às pressas. "Eles chegaram e ordenaram que todos saíssem", declarou, sem que tivesse "tempo de pegar qualquer coisa". O idoso também afirma ter sentido muito "medo" pela filha, moradora de uma cidade vizinha, "onde tudo queimou".

Mercedes García, dona de casa de 69 anos, também teve de deixar sua residência. Apesar de ter dificuldades de locomoção e usar andador, passou a noite no ginásio municipal onde foi acolhida, dormindo sobre um colchão inflável de piscina, enquanto o marido cochilava em uma cadeira.

"O que aconteceu aqui é inacreditável", diz ela, ainda abalada pelos acontecimentos. "Todo o povoado foi evacuado", cerca de "3.500 moradores", explica, nas proximidades, Félix Hernández, vereador do município. "Tenho 53 anos e já vi incêndios importantes, mas tão grandes assim, não", afirma, admitindo seu receio diante de uma situação que parece fugir ao controle.

Nesta sexta-feira, um homem também foi preso sob suspeita de ter provocado o incêndio de Ávila, que devastou 9 mil hectares na região de Castela e Leão, após utilizar uma máquina agrícola em uma área onde isso era "totalmente proibido", informou a Guarda Civil.

Uma pessoa foi detida e outra está sendo investigada como possível autora do incêndio florestal de Ávila, informou nesta sexta-feira (24) a Guarda Civil em sua conta no X. "A causa da origem do mesmo foi uma imprudência grave pelo uso de maquinário pesado na área de origem, onde estava totalmente proibido", o que teria provocado as faíscas que iniciaram o fogo, acrescentou.

Segundo dados do sistema europeu de monitoramento Effis, 2026 já é o segundo pior ano em área queimada na União Europeia para este período desde o início dos registros, há duas décadas.

França enfrenta fortes incêndios

Na França, cerca de 67 mil pessoas foram evacuadas nas duas áreas ameaçadas pelas chamas: Cabo Ferret, na Gironda, e o departamento de Landes, no sudoeste do país. Na Gironda, o fogo já consumiu mais de 12.500 hectares, uma área superior à da cidade de Paris, segundo as autoridades, que classificam o episódio como "o maior incêndio da temporada".

O mais grave ocorre em Le Porge, perto de Bordeaux, onde mais de 3.400 hectares foram destruídos e cerca de 20 mil pessoas, entre moradores e turistas, tiveram de deixar a região. Outro foco, no departamento de Var, no sul do país, já devastou 2.500 hectares e provocou a evacuação de mais de 300 pessoas. Autoridades alertam que as chamas seguem instáveis, com dezenas de focos sendo reativados.

Já o incêndio que começou em Biscarrosse, no departamento de Landes (sudoeste da França), avança para sudeste em direção ao município de Parentis, onde 8 mil moradores estão sendo evacuados, além das 23 mil pessoas já retiradas desde a noite de quinta-feira, anunciou nesta sexta-feira o representante do governo no departamento.

"Não há vítimas entre a população civil neste momento. Entre os bombeiros, houve cinco feridos ou pessoas afetadas pela fumaça, mas de forma leve", acrescentou o representante do Estado, Gilles Clavreul.

Desde janeiro, a França registrou mais de 12.500 incêndios florestais e cerca de 44 mil hectares queimados, um recorde para esta época do ano. O país, assim como Espanha e Itália, enfrenta um dos piores períodos recentes de incêndios, em um contexto de ondas de calor frequentes e condições cada vez mais favoráveis à propagação rápida do fogo.

Com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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