Mulher de Chico Santo levará cinzas do jornalista para cerimônia no Brasil
O corpo do jornalista brasileiro Francisco de Assis Ripol Clemente, o Chico Santo, foi cremado nesta quinta-feira (23) em Lausanne, na Suíça. As cinzas dele serão levadas em urna para o Brasil pela mulher do jornalista, a enfermeira Angela Zerbielli, com quem a RFI Brasil conversou sobre a morte inesperada.
Valéria Maniero, correspondente da RFI na Suíça
Às 19h desta sexta-feira (24), será celebrada uma missa de sétimo dia em homenagem ao jornalista na Paróquia São Rafael Arcanjo, no bairro da Mooca, em São Paulo. Ainda abalada, Angela Zerbielli afirmou que enfrenta dias muito difíceis desde a morte do marido, com quem estava casada havia dez anos.
Ela não participou da cremação, explicando que a família pretende homenageá-lo em uma cerimônia no Brasil. A viagem, inicialmente marcada para setembro, ainda está sendo reavaliada. "Não sei se vou conseguir adiantar um pouco. Ainda estou resolvendo isso por causa do trabalho", contou. Ela levará consigo a urna com as cinzas do companheiro. "Eu não estava no lago quando tudo aconteceu", lamentou.
Para celebrar os 40 anos de Angela, completados na sexta-feira (17), o jornalista havia deixado a França e viajado para a Suíça, onde ela vive e trabalha, chegando na quarta-feira à noite. Na quinta-feira pela manhã, os dois foram para Chamonix. "Na sexta, que era o meu aniversário, a gente passou o dia num spa, uma programação que a gente queria fazer há algum tempo. E, no final do dia, a gente veio para cá, para Rolle", disse.
Ela contou que o marido aproveitaria o fim de semana livre na região e passaria o sábado no lago de Rolle, local frequentado pelo casal. Os dois haviam combinado de se encontrar após o trabalho dela. "Infelizmente, eu não consegui ir encontrá-lo", afirmou.
Segundo Angela, o que se sabe é que ele não tinha consumido álcool nem medicamentos.
"Ele foi andando para a praia. Não sabia nadar muito bem, mas a 3 metros, que era onde ele estava, a água está na cintura e não tem onda. À noite, quando a polícia conseguiu me localizar no meu trabalho, eles disseram que suspeitavam de afogamento causado por parada cardíaca ou choque térmico. Porque seria muito difícil um afogamento por si só naquele lugar", explicou a enfermeira.
Quando ela foi reconhecer o corpo do marido, encontrou a médica da polícia criminal que estivera no lago no atendimento. "Ela falou que foi intrigante. Choque térmico acontece em áreas mais profundas, com diferença de temperatura, e não era o caso. Por isso, suspeitava de parada cardíaca", disse.
A enfermeira explicou que havia se mudado para a Suíça em janeiro, após conseguir emprego em uma clínica para idosos. O plano do casal era viver junto no país assim que ele concluísse a formação que cursava na França. Até lá, eles faziam questão de se encontrar todas as semanas, alternando as visitas entre os dois países. Segundo Angela, o jornalista estava sozinho quando foi ao lago e não havia ido ao local com amigos. "Ele conhecia algumas pessoas de vista, que costumava apenas cumprimentar no lago, mas foi sozinho", afirmou.
Resultado da autópsia demora semanas
Após o reconhecimento do corpo e os procedimentos conduzidos pela polícia, o corpo de Chico Santo foi encaminhado para autópsia e posteriormente liberado para cremação, informou Angela à RFI. Ela disse que ainda não teve acesso aos resultados do exame. "Se eu quiser saber, vou ter que pedir para a procuradora que está cuidando do caso", afirmou. "Imagino que eles já saibam um pouco do que aconteceu, mas eu não tenho essa informação."
"A vida dele era o jornalismo, o que mais amava", diz a companheira sobre Chico Santo. "Teve uma carreira brilhante, fez muita coisa boa e eu acho que ele merece todos os tipos de homenagens boas que vão lembrar dele com carinho", completa.
Entenda o caso
Em comunicado divulgado em 19 de julho, o Ministério Público do Cantão de Vaud informou que um cidadão brasileiro de 46 anos, residente na França, morreu afogado nas proximidades da praia de Rolle, às margens do Lago Léman, na tarde do dia 18. Segundo as autoridades, as circunstâncias da morte continuam sendo investigadas.
De acordo com o texto, a polícia foi acionada após relatos de um acidente durante um banho no lago. O brasileiro foi encontrado inconsciente na água, a cerca de três metros da margem. Pessoas que estavam no local o retiraram da água e iniciaram manobras de reanimação, que foram continuadas pelas equipes de emergência após a chegada ao local. Apesar das tentativas de socorro, a vítima morreu no local.
O Ministério Público informou ainda que uma investigação foi aberta para esclarecer as circunstâncias do caso. O comunicado também reproduz recomendações da Polícia Cantonal de Vaud sobre segurança em áreas de banho.
Mortes por afogamento na Suíça
A imprensa suíça destaca que, em apenas um mês, pelo menos 15 pessoas morreram afogadas no país. Em reportagem publicada pela emissora pública RTS, a Sociedade Suíça de Salvamento (SSS) afirma que o número de ocorrências registrado neste período é superior ao observado na mesma época do ano passado. Nos últimos anos, o país tem registrado, em média, cerca de 50 mortes por afogamento por ano.
Segundo a SSS, fatores como a superestimação das próprias capacidades, a subestimação dos riscos e as mudanças nas condições da água estão entre as principais causas desses acidentes. Jovens entre 17 e 32 anos e pessoas com mais de 65 anos figuram entre os grupos mais afetados. As estatísticas também indicam uma incidência significativamente maior de acidentes fatais entre homens.
De acordo com a RTS, a maioria dos afogamentos ocorre em lagos e rios, onde as condições são mais difíceis de prever do que em piscinas. Correntes, obstáculos e dificuldades de acesso à margem estão entre os riscos apontados nos rios, enquanto, nos lagos, fatores como a temperatura da água, as distâncias e as mudanças climáticas repentinas são frequentemente subestimados pelos banhistas.
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