'Pink Ladies': grupo de mães britânicas apoiado por neonazistas denuncia migrantes no Reino Unido
Na cidade de Epping, ao norte de Londres, um grupo de mães britânicas vestidas de rosa tem chamado atenção no Reino Unido por liderar manifestações contra migrantes em frente a hotéis que abrigam solicitantes de refúgio. Apelidadas de "Pink Ladies", essas mulheres dizem estar preocupadas com a segurança de suas filhas, especialmente após denúncias de assédio envolvendo um refugiado. Embora parte dos manifestantes atue de forma pacífica, há relatos de envolvimento de grupos de extrema direita.
Na cidade de Epping, ao norte de Londres, um grupo de mães britânicas vestidas de rosa tem chamado atenção no Reino Unido por liderar manifestações contra migrantes em frente a hotéis que abrigam solicitantes de refúgio. Apelidadas de "Pink Ladies", essas mulheres dizem estar preocupadas com a segurança de suas filhas, especialmente após denúncias de assédio envolvendo um refugiado. Embora parte dos manifestantes atue de forma pacífica, há relatos de envolvimento de grupos de extrema direita.
Segundo o jornal The Independent, membros do partido neonazista Homeland ajudaram a organizar os protestos online. Dois deles seriam administradores da página "Epping Says No", no Facebook, com mais de 1.500 membros.
As "Pink Ladies" protestaram em frente ao Bell Hotel, na cidade de Epping, condado de Essex, a nordeste de Londres, em 29 de agosto de 2025, após o tribunal de apelações anular uma decisão que bloqueava temporariamente o uso do hotel para abrigar requerentes de asilo. Uma bancada de três juízes decidiu que o juiz da Suprema Corte, que anteriormente impôs um prazo até 12 de setembro para a retirada de migrantes do hotel, havia "cometido uma série de erros".
O movimento anti-imigração tem se espalhado por todo o Reino Unido. Enquanto o governo tenta conter a insatisfação popular, os protestos em frente a hotéis que recebem refugiados se intensificam.
Agora, também há a preocupação com confrontos, após o ativista de extrema direita Tommy Robinson (cujo nome verdadeiro é Stephen Yaxley-Lennon) anunciar que participaria de uma manifestação no hotel no próximo domingo (7).
O governo trabalhista do Reino Unido, liderado pelo primeiro-ministro Keir Starmer, prometeu acabar com o abrigo de refugiados em hotéis até 2029 e anunciou recentemente a suspensão do direito de reagrupamento familiar para refugiados. Mesmo assim, os protestos continuam, especialmente em Epping, que se tornou o principal palco dessas manifestações, segundo informações do site Franceinfo.
"Mandem eles de volta!"
Com bandeiras do Reino Unido e cruzes de São Jorge nas mãos, os manifestantes gritam "Mandem eles de volta!", diante de policiais e cercas que isolam os hotéis. Na linha de frente estão mulheres, mães de família vestidas de rosa, preocupadas com relatos de assédio sexual.
Becky, uma das manifestantes, levou suas duas filhas de 12 e 13 anos ao protesto. "Estou aqui para proteger minhas crianças", afirmou. "Estou tão assustada que vou tirá-las da escola este ano. Eu mesma vou ensinar em casa", disse. Uma das filhas de Becky também se manifestou: "Estamos aqui para apoiar meninas que foram abordadas por homens mais velhos. Eles saem dos arbustos e perguntam de onde somos, o que estamos fazendo. Estamos aqui para nos proteger".
Desde o início das manifestações - algumas delas violentas - pelo menos nove pessoas foram presas, e outras foram formalmente acusadas por desordem violenta e danos à propriedade, segundo as autoridades britânicas.
Durante uma manifestação pública lotada, o líder do Grupo Conservador de Essex, Chris Whitbread, expressou preocupação com o fato de que os protestos pacíficos estariam sendo "infiltrados por extremistas políticos". Ele também criticou o Ministério do Interior por não ter consultado o conselho local antes de reabrir o hotel para abrigar migrantes.
"A decisão foi tomada contra nossa vontade. O Bell Hotel não atende aos requisitos mínimos que consideramos necessários", afirmou.
"Não sou racista"
Carmen, uma das fundadoras do movimento "Pink Ladies", também veste rosa e participa dos protestos duas vezes por semana desde meados de julho. "Foi aqui que tudo começou", diz ela. "Voltamos porque um juiz anulou a decisão de fechar os hotéis. Continuamos lutando porque parece que os migrantes têm mais direitos do que nós, cidadãos britânicos. Isso me revolta. Se não oferecessem tudo isso, eles não viriam", alegou.
Ela nega que o grupo seja racista. "Não, eu não sou racista!", insistiu. "Qualquer pessoa pode vir para cá com passaporte, dinheiro e um trabalho. Não sou contra a imigração legal", afirmou Carmen, que também declara apoio ao político Nigel Farage e ao partido Reform UK.
Farage, líder da extrema direita britânica e favorito nas pesquisas, prometeu recentemente enviar cinco aviões por dia para expulsar migrantes, caso chegue ao poder. O discurso tem ecoado entre os manifestantes de Epping e em outras partes do país.
Futuro da política migratória britânica
Em abril, havia cerca de 33 mil solicitantes de refúgio hospedados em hotéis, número que já foi de 56 mil em setembro de 2023.
O governo britânico planeja incluir investimento de 200 milhões de libras (quase R$ 1,5 bi) para acelerar a análise dos pedidos de refúgio e substituir os hotéis por moradias alugadas.
Projetos anteriores que previam o uso de instalações militares, barcaças e balsas foram reduzidos e hoje representam menos de 1% da capacidade de acolhimento. A barcaça Bibby Stockholm, usada em 2023, foi desativada em 2024 após denúncias de que seria um "risco de morte", segundo o sindicato dos bombeiros.
(Com agências)