Novos protestos reúnem milhares na França e terminam em confrontos com a polícia em Paris
Os protestos contra o aumento do custo de vida, que reuniram entre 320 mil e 500 mil pessoas neste sábado (31) em várias cidades da França, ocorreram de forma pacífica na maior parte do país, mas foram marcados por tumultos durante a dispersão. Em Paris, houve confrontos entre policiais e manifestantes na chegada da passeata à Porte de Charenton, no 12º distrito da capital.
Novos protestos contra o custo de vida reuniram centenas de milhares de pessoas na França, com estimativas de 320 mil a 500 mil participantes. Em Paris e cidades como Marselha e Toulouse, os atos registraram violentos confrontos entre mascarados e policiais, que reagiram com bombas de gás e canhões de água. O governo impôs toques de recolher noturnos na capital e reforçou a segurança, enquanto sindicatos e estudantes planejam novas greves, bloqueios e manifestações para os próximos dias.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Paris, as forças de segurança "enfrentaram um grupo de 200 a 300 manifestantes violentos que praticam atos de violência contra policiais e gendarmes".
Dezenas de pessoas mascaradas e vestidas de preto arrancaram pedras da calçada com martelos e as atiraram contra os agentes, segundo as autoridades. Os policiais também foram alvo de um coquetel molotov e reagiram com bombas de gás lacrimogêneo e investidas com cassetetes.
Várias explosões foram ouvidas na região, enquanto uma grande nuvem de fumaça cobria o céu e um helicóptero sobrevoava a área. Uma coluna de furgões da polícia foi estacionada na rue de Charenton, que dá acesso ao centro da cidade, para impedir o avanço do cortejo.
A polícia orientou os participantes a não avançarem para evitar confrontos, como previa o trajeto originalmente planejado e um caminhão com canhão de água foi posicionado perto da Porte de Charenton, no limite de Paris.
O Conselho de Estado francês alterou de última hora o trajeto da principal manifestação em Paris, transferindo o percurso do leste da capital para um itinerário entre as portas de Bagnolet e Charenton, nos limites da cidade.
Ao todo, 320 mil pessoas participaram dos protestos, sendo 70 mil em Paris, segundo as autoridades. Na semana anterior, haviam sido registrados 410 mil manifestantes. Já a Intersindical da Juventude estimou a participação em 500 mil pessoas, das quais 200 mil na capital francesa.
Alguns participantes, fantasiados para o Halloween, iniciaram as passeatas em clima descontraído, mas cercados por policiais. O efetivo foi reforçado após os saques e as depredações registrados em 17 de outubro. Ao todo, 70 mil agentes das forças de segurança foram mobilizados.
Em Paris, os manifestantes receberam demonstrações de apoio de moradores que acompanhavam o ato das janelas e sacadas. Entre os cartazes exibidos estavam mensagens como "alerta climático do custo de vida", "não precisamos de gás lacrimogêneo para que nosso futuro pareça nebuloso", "Halloween fantasiada de cidadã revoltada" e "os estudantes miram o vestibular, a polícia mira a cabeça".
"Apesar das estações de metrô fechadas, de uma semana de campanha alarmista da mídia alinhada ao governo e da mudança do local de concentração, a multidão foi tão numerosa quanto na semana passada", afirmou na rede social X Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa (LFI, esquerda radical) e candidato à Presidência, que participou da manifestação em Paris.
Outras cidades também registraram tumultos. Em Marselha, houve confrontos entre manifestantes e policiais ao longo de um percurso improvisado que reuniu milhares de pessoas. Nenhuma manifestação havia sido autorizada.
Em Toulouse, no sudoeste do país, as forças de segurança utilizaram canhões de água contra outro protesto não autorizado, que reuniu vários milhares de participantes, a maioria deles jovens, alguns fantasiados.
Em Rennes, a prefeitura informou a presença de 13,5 mil manifestantes, mais do que na semana anterior. Em Estrasburgo, o protesto reuniu 5 mil pessoas. Já em Metz, cerca de mil pessoas participaram do ato.
Em Bordeaux, a manifestação reuniu menos participantes do que nos dois sábados anteriores. A polícia contabilizou 11 mil pessoas, contra 15,5 mil em 24 de outubro. Os sindicatos, por sua vez, estimaram 70 mil participantes, ante 60 mil na semana anterior.
Também ocorreram protestos nas cidades de Limoges, Poitiers, Nantes e La Rochelle. Em Limoges, onde a prefeitura foi incendiada em 17 de outubro, o ato reuniu cerca de 3 mil pessoas, número semelhante ao do sábado anterior.
Toque de recolher
Um novo toque de recolher foi decretado em algumas regiões de Paris para as noites de sábado para domingo e de domingo para segunda-feira, entre 23h e 6h. A medida vem sendo adotada também em outras cidades francesas.
"O pretexto da noite de Halloween não será considerado motivo legítimo para ocultar o rosto em espaços públicos" com o objetivo de "provocar distúrbios à ordem pública", advertiu o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
A legislação autoriza o uso de máscaras em espaços públicos durante festas, como o Halloween, mas as proíbe nas proximidades de manifestações consideradas suscetíveis de gerar distúrbios.
Novos bloqueios
A União Sindical dos Secundaristas, a União Estudantil e a Unef convocaram novos bloqueios de escolas de ensino médio e universidades para terça e quinta-feira. Uma nova jornada de greves e manifestações está prevista para 5 de novembro, por iniciativa dos sindicatos de trabalhadores.
A coordenação dos "coletes amarelos", na origem das jornadas de mobilização, convocou novos protestos para os dias 6 e 7 de novembro, logo após a jornada nacional marcada para o dia 5.
Essa terceira jornada nacional de mobilização contra o aumento do custo de vida ocorre em sintonia com o movimento estudantil secundarista e universitário, que reivindica, entre outras medidas, a extinção da plataforma de acesso ao ensino superior Parcoursup, a reforma das instituições de ensino e a contratação de mais professores.
Desde meados de setembro, vários manifestantes, inclusive menores de idade, foram gravemente feridos ou mutilados em operações de manutenção da ordem pública. Segundo o Ministério do Interior, 1.193 policiais e gendarmes também ficaram feridos.
Com agências
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.