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Novos protestos por moradia levam multidão às ruas na Espanha

Protestos pelo direito à moradia reuniram neste sábado (3) dezenas de milhares de pessoas em Madri e em diversas cidades da Espanha, após a rejeição das medidas propostas pelo governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez. Diante da crise política, o governo espanhol não descarta a convocação de eleições antecipadas.

3 out 2026 - 11h29
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Resumo
Centenas de milhares de pessoas protestaram em Madri contra a crise habitacional e a alta dos aluguéis na Espanha, pressionando por regulação contra a especulação imobiliária. A revolta cresceu após o despejo de uma idosa e a rejeição parlamentar de leis para proteger inquilinos vulneráveis. O agravamento da crise social e política ameaça a continuidade da legislatura e levou o primeiro-ministro Pedro Sánchez a considerar a convocação de eleições antecipadas no país.

Em Madri, entre 70 mil pessoas, segundo as autoridades, e 500 mil, segundo o Sindicato dos Inquilinos, participaram da manifestação na capital espanhola. "O que se respira nas ruas é uma nova energia, uma energia que demonstra que oito dias de poder popular são capazes de fazer muito mais do que oito anos de governo progressista", declarou Valeria Racu, uma das porta-vozes do Sindicato dos Inquilinos, em uma crítica ao governo Sánchez.

"Os políticos estão a serviço do dinheiro, dos fundos especulativos e distantes do povo", afirmou Adhara Freile, de 41 anos, jardineira que participou de um dos atos em Madri. Ela vive com o companheiro em um apartamento de um cômodo em Villaverde, bairro da periferia da capital. Com o fim do contrato de aluguel previsto para o próximo ano, teme ser obrigada a deixar o imóvel, como já ocorreu com outros moradores do prédio.

O livreiro Marcos Sainz, de 26 anos, conta que dividia um apartamento de três quartos com amigos por um aluguel de € 900. Hoje, segundo ele, um apartamento de dois cômodos custa cerca de € 1.000. "Ainda me considero privilegiado, porque posso pagar", afirmou. Ele diz que continuará protestando "até que alguém tenha coragem de regulamentar tudo isso, porque todos nós vamos acabar tendo de deixar Madri, e isso me entristece, porque sou de Madri".

"Vivemos em condições muito precárias, esmagados por um sistema que não nos oferece condições dignas de vida. Reivindicamos um direito fundamental: ter uma moradia decente, estabilidade e condições que nos permitam construir um projeto de vida digno", afirmou Javier, de 31 anos, instalador de painéis fotovoltaicos que preferiu não informar o sobrenome.

"Atualmente moro em um apartamento de 90 metros quadrados com mais três pessoas. Como a maioria de nós, gasto metade do meu salário para pagar um quarto minúsculo", disse. "Aqui fica claro que somos a maioria e que os problemas que afetam a maioria parecem não interessar aos nossos 'representantes'. Eles não se importam e não tomam nenhuma medida", criticou.

Eleições antecipadas?

As manifestações, planejadas antes da rejeição das propostas do governo pelo Parlamento na sexta-feira, fazem parte da crise desencadeada há cerca de dez dias pelo despejo, na semana passada, de Maricarmen Abascal, madrilena de 87 anos expulsa do apartamento onde vivia havia sete décadas, após a imobiliária proprietária do imóvel tentar aumentar seu aluguel em 275%.

Após a pressão das ruas, a empresa proprietária do imóvel renegociou o valor do aluguel, e Maricarmen poderá voltar para o apartamento após deixar o hospital. Ela pagará um aluguel de € 500, segundo o jornal El País.

Na sexta-feira, a rejeição das propostas apresentadas pelo governo reacendeu as dúvidas sobre a continuidade da atual legislatura, prevista para terminar em 2027. As medidas derrotadas incluíam a suspensão, até 2030, dos despejos de pessoas vulneráveis, ações contra os chamados fundos abutres e a renovação automática dos contratos de aluguel.

Segundo a imprensa espanhola, Pedro Sánchez reservou alguns dias para avaliar a situação e decidir se convocará ou não eleições antecipadas. Assim como em muitas capitais europeias, a falta de moradias acessíveis é um dos principais problemas sociais da Espanha. Plataformas de aluguel turístico, como o Airbnb, e fundos de investimento são acusados de impulsionar a alta dos preços ao adquirir imóveis e reduzir a oferta disponível para os moradores.

Com AFP

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