Nova onda de calor "excepcional" na França pode elevar temperaturas acima dos 40°C
A França vai atravessar uma nova onda de calor a partir de sábado (28), com um pico de temperaturas esperado entre segunda (30) e terça-feira (1°). Meteorologistas dizem que "situação é excepcional" e jornais franceses alertam para suas consequências: cidades estariam "se transformando em lugares inóspitos".
A França vai atravessar uma nova onda de calor a partir de sábado (28), com um pico de temperaturas esperado entre segunda (30) e terça-feira (1°). Meteorologistas dizem que "situação é excepcional" e jornais franceses alertam para suas consequências: cidades estariam "se transformando em lugares inóspitos".
O jornal Le Parisien informa que as autoridades francesas acionaram o alerta laranja devido ao calor que vai atingir o país nos próximos dias. No começo da próxima semana, os termômetros devem bater na casa dos 42 °C.
O alerta laranja é acionado quando são esperadas temperaturas elevadas por três dias e noites consecutivos, levando a riscos para a saúde de toda a população exposta, incluindo desidratação, insolação e agravamento de doenças crônicas.
Segundo a Météo France, o órgão de previsão meteorológica da França, durante o fim de semana as temperaturas devem ficar entre 35 °C e 38 °C em todo o país. O calor deve persistir durante a noite, horário em que as temperaturas costumam cair.
O pico de calor é considerado precoce pela Météo France. Um especialista entrevistado pelo Le Parisien diz que em Paris, em 150 anos, os 35 °C foram ultrapassamos apenas 11 vezes, sendo três a quatro vezes somente neste mês de junho. "É o sinal do impacto das mudanças climáticas", diz o meteorologista Adrian Warnan.
Uma situação "excepcional para um fim de junho", sublinha o diário Le Figaro, citando um organismo de previsão. Este tipo de calor é geralmente observado mais tarde, no auge do verão, nos meses de julho e agosto, afirmando que segunda-feira poderia ser o dia mais quente já registrado na França.
Cidades não adaptadas
O Libération traz um artigo sobre urbanismo afirmando que as cidades não estão adaptadas. Diante das ondas de calor vividas pela França, as cidades se transformaram em lugares inóspitos, lamenta o jornal, que cita como responsável o fenômeno da concretagem: quando as zonas verdes são expulsas das aglomerações urbanas, dando lugar a construções em cimento.
A modernização e a estandardização sem consciência criaram um urbanismo desarticulado da questão arquitetônica, critica o jornal, apagando as áreas pensadas para criar bem-estar climático nas cidades. Para Libération é indispensável repensar a arquitetura, e isso passa pela escolha dos materiais, a reflexão sobre os recursos e o ciclo de vida das construções.
Le Monde destaca outra consequência do aumento das temperaturas: a seca que avança no país e atinge diversas regiões da França. Com o calor do começo do verão, a previsão é que falte água em diversas localidades nos próximos meses. As restrições de uso já são aplicadas em 3,5% do território francês e, nos últimos dias, os decretos incitando moradores à vigilância e redução do consumo se multiplicaram.
Mesmo nas úmidas regiões norte e noroeste da França, as chuvas foram raras na primavera e 40% dos lençóis freáticos do país estão abaixo do nível normal.