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'Nos sentimos abandonados pelas autoridades', desabafa morador em meio aos incêndios em Portugal

Portugal e Espanha confirmaram, nesta segunda-feira (18), mais dois óbitos de bombeiros, elevando para seis o total de profissionais mortos nos incêndios florestais nas últimas semanas na Península Ibérica - quatro espanhóis e dois portugueses. "Estamos espantados com a falta de recursos disponíveis para combater os incêndios", disse um morador de Marialva, na região central de Portugal.

18 ago 2025 - 12h30
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Portugal e Espanha confirmaram, nesta segunda-feira (18), mais dois óbitos de bombeiros, elevando para seis o total de profissionais mortos nos incêndios florestais nas últimas semanas na Península Ibérica - quatro espanhóis e dois portugueses. "Estamos espantados com a falta de recursos disponíveis para combater os incêndios", disse um morador de Marialva, na região central de Portugal.

Incêndio florestal atinge a região de Arganil, no interior de Portugal, em 14 de agosto de 2025.
Incêndio florestal atinge a região de Arganil, no interior de Portugal, em 14 de agosto de 2025.
Foto: © Lusa / RFI

Milhares de agentes, com apoio de soldados, helicópteros e aviões enviados por países vizinhos, seguem no combate às chamas, que já devastaram dezenas de milhares de hectares na Península bérica.

As chamas estão concentradas em três regiões espanholas (Castela e Leão, no noroeste; Galícia, também no noroeste; e Extremadura, no oeste) e outras cinco portuguesas (Vila Boa, no noroeste; Aguiar da Beira, Arganil, Marialva e Trancoso, todas estas quatro no centro). Milhares de moradores foram obrigados a abandonar essas áreas.

Em Marialva, na região portuguesa de Meda, as chamas se espalharam por dezenas de quilômetros durante apenas três horas, o que mobilizou a ação de quase 700 bombeiros.

"Estava ventando muito. Vimos as chamas se aproximando rapidamente. Naquele momento, percebemos que o fogo ia atingir a vila e começamos a nos organizar", conta Christopher, morador do município.

Desamparo diante das chamas

"Sentimo-nos abandonados pelas autoridades. Todos os anos, é um caos. Estamos espantados com a falta de recursos disponíveis para combater os incêndios", queixa-se Christopher.

Em Trancoso, as chamas assustaram uma vila de 300 moradores. Hugo, de 23 anos, é voluntário e está na linha de frente com seu caminhão e um tanque cheio de água.

"As pessoas gritavam por socorro assim que o fogo se aproximava de suas casas. Infelizmente, tivemos de escolher qual casa salvar. Tivemos de abandonar uma casa porque as chamas estavam a sete metros de altura. Foi muito difícil", lamenta Hugo.

 "No início, não tivemos qualquer apoio. Depois, no momento mais crítico, os bombeiros chegaram com um número reduzido de funcionários e um ou dois caminhões. É bem verdade que eles nos ajudaram da melhor forma possível. Ajudaram-nos a apagar o fogo nas casas antes de conseguirmos ligar à rede de abastecimento de água da aldeia", contou Hugo.

Apesar de o incêndio em Trancoso ter sido controlado, muitos moradores denunciam a falta de uma estratégia sustentável.

Desde o final de julho, Portugal está alerta devido às fortes ondas de calor persistentes que se conjugam ao tempo seco e a ventos.

Diante das críticas, o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, informou que 15.000 agentes foram mobilizados nas operações e que todos os recursos disponíveis estavam sendo utilizados. O governo também apelou ao "Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia". O país ainda recebeu assistência do Marrocos, que enviou dois bombardeiros de água.

Embora os especialistas considerem o aumento das ondas de calor que alimentam incêndios uma consequência a longo prazo das alterações climáticas, o governo português comprometeu-se a aprovar um plano de gestão florestal que visa reforçar a prevenção de incêndios e promover a economia provenente da exploração sustentável de florestas. Enquanto as altas temperaturas continuam, as autoridades permanecem mobilizadas.

Espanha aguarda queda de temperatura 

A ministra da Defesa da Espanha, Margarita Robles, salientou a escalada dos incêndios no país. "É uma situação muito difícil, muito complicada", disse a ministra.

A Agência Meteorológica Espanhola (Aemet) afirmou que a onda de calor que alimenta o fogo está próxima do fim, após mais de duas semanas de temperaturas extremas. De acordo com a agência, esta segunda-feira deve marcar o encerramento do período de calor intenso, que elevou os termômetros a até 45°C em algumas áreas do sul e a 40°C em muitas outras. 

"Esperamos que o tempo de hoje finalmente comece a ser menos adverso e que comece a proporcionar algum alívio", enfatizou a diretora-geral de Proteção Civil e Emergências da Espanha, Virginia Barcones. Mas o alerta continua: "Atualmente, temos 23 incêndios de nível 2 na região". A diretora explicou que a escala vai até o grau 4 para definir a ameaça direta à população.

Mais de 70 mil hectares queimaram na Espanha nos últimos dias, elevando o total no ano para mais de 157 mil, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS).

Já o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) divulgou que mais de 75.000 hectares de vegetação já foram destruídos em Portugal pelas chamas em 2025, sendo mais da metade deste número no período das últimas três semanas.

(RFI com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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