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Moscou enfrenta restrições de combustível provocadas por escalada de ataques ucranianos

A intensificação dos ataques de drones ucranianos contra refinarias e depósitos de combustíveis está afetando o abastecimento em diversas regiões da Rússia, segundo reconheceram as autoridades de Moscou. Em meio à escalada dos ataques, o mais recente bombardeio ucraniano matou seis pessoas na noite de domingo (16) para segunda-feira (17) em Belgorod, perto da fronteira entre os dois países.

17 ago 2026 - 12h40
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Jean-Didier Revoin, correspondente da RFI em Moscou, com agências

Moscou também é afetada pela dificuldade de abastecimento de combustível, em consequência do aumento dos ataques de drones ucranianos contra as refinarias e outras reservas de hidrocarbonetos do país. Filas começam a se formar nos postos de combustível na capital russa. 

A reportagem da RFI foi até um posto no centro da cidade, onde cerca de trinta carros aguardavam para poder abastecer. As pessoas permaneciam calmas e esperavam sua vez com resignação, como explica Oleg. 

"É preciso esperar cerca de vinte minutos na fila, e todos nós entendemos o motivo. Seria a mesma coisa em qualquer outro país que estivesse sendo bombardeado", disse o cliente. 

Embora as autoridades tenham cerceado a divulgação de imagens dos ataques ucranianos nas redes sociais, a população tem plena consciência do que está acontecendo. No fim de junho, Moscou já havia enfrentado escassez de combustível durante alguns dias, antes que a situação voltasse ao normal. 

Importante refinaria danificada 

Mas a continuidade dos ataques ucranianos contra as infraestruturas energéticas, especialmente o ataque da semana passada que deixou fora de operação por vários meses uma importante refinaria localizada na fronteira com o Cazaquistão, obrigou as autoridades a admitir que o abastecimento de combustível do país está sendo afetado. 

Ainda assim, a situação não impressiona Serguey. "Estamos acostumados a abastecer em três minutos, e isso, normalmente, já parece demorado", conta esse morador de Moscou. "Mas tudo é relativo na vida. Eu vivi numa época em que era preciso esperar vários dias para encher um galão, então qualquer coisa pode acontecer", relativizou. 

Oxana, por sua vez, nega que tenha ido abastecer por receio de que sejam impostas restrições à compra de combustível na capital. "Ainda tenho combustível para rodar 58 quilômetros, é uma situação normal. Tenho certeza de que tudo vai dar certo", aposta. 

Levar a guerra para o território russo com o objetivo de desmoralizar a população e pressionar o Kremlin a negociar era o propósito da campanha de ataques em larga escala lançada por Kiev. No entanto, por enquanto, longe de se mostrarem abalados, os moradores de Moscou estão se adaptando às dificuldades impostas pela situação.  

Novos ataques 

Nessa madrugada, seis pessoas morreram em um novo ataque ucraniano com mísseis na região russa de Belgorod, próxima à fronteira com a Ucrânia, informaram autoridades locais locais. Segundo o governador interino da região, Alexandr Shuvaev, o ataque atingiu a localidade de Koloskovo, no distrito de Valuiski. O governador afirmou que o bombardeio também causou danos a estruturas e veículos na área atingida. 

O episódio ocorre em meio à intensificação dos ataques entre Rússia e Ucrânia nos últimos meses. Com as negociações estagnadas e os combates na linha de frente em relativo impasse, os dois países vêm ampliando o uso de drones e mísseis de longo alcance, o que tem elevado o número de vítimas civis.  

No domingo (16), uma onda de ataques com drones deixou 12 mortos na Rússia, enquanto bombardeios das forças de Moscou provocaram a morte de sete pessoas na Ucrânia. 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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