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Moldávia realiza eleições legislativas neste domingo, sob alerta de interferência da Rússia

A Moldávia se prepara para viver uma eleição legislativa decisiva neste domingo (28), cujos desafios ultrapassam o âmbito nacional. Situada entre a Romênia e a Ucrânia, a ex-república soviética tem 2,6 milhões de habitantes, a maioria de origem romena. No contexto atual, a Moldávia, que não se beneficia da proteção da Otan, é candidata a entrar na União Europeia.

28 set 2025 - 16h01
(atualizado em 28/9/2025 às 05h52)
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A Moldávia se prepara para viver uma eleição legislativa decisiva neste domingo (28), cujos desafios ultrapassam o âmbito nacional. Situada entre a Romênia e a Ucrânia, a ex-república soviética tem 2,6 milhões de habitantes, a maioria de origem romena. No contexto atual, a Moldávia, que não se beneficia da proteção da Otan, é candidata a entrar na União Europeia.

A estátua de Lenin em frente ao parlamento da Transnístria é um dos símbolos remanescentes do passado soviético da região.
A estátua de Lenin em frente ao parlamento da Transnístria é um dos símbolos remanescentes do passado soviético da região.
Foto: © Murielle Paradon - RFI / RFI

Timéo Guillon e Murielle Paradon, correspondente especial da RFI na Transnístria

Um dos pontos de maior atenção no pleito deste domingo é a Transnístria, no extremo leste do país, devido à guerra na Ucrânia. A região é oficialmente parte da Moldávia, mas está sob controle separatista pró-Rússia desde a década de 1990 e ainda abriga diversos símbolos de seu passado soviético.

Localizado na fronteira com a Ucrânia, o território cristalizou as tensões entre a Moldávia e a Rússia por mais de 30 anos. Com 500 mil habitantes, a maioria de língua russa, a Transnístria se separou da Moldávia em 1992 e permanece sob a influência de Moscou até hoje.

Embora tenha se declarado independente, nenhum Estado no mundo a reconhece, nem mesmo a Rússia, que, no entanto, mantém uma presença militar na área e é a principal credora da região.

Do ponto de vista jurídico, a Transnístria ainda é considerada parte integrante da Moldávia. Por isso, os cidadãos do território são chamados às urnas em todas as eleições moldavas.

Contexto eleitoral tenso

Com um número reduzido de seções de votação, comboios ilegais de eleitores e uma maior participação em relação a pleitos anteriores, votar na Transnístria pode desempenhar um papel significativo nas eleições deste domingo, que se mostram acirradas.

Em Bender, uma cidade fronteiriça da região, uma eleitora diz que ainda não sabe se poderá votar por conta das barreiras de controle, e demonstra preocupação com o futuro pós-eleições.

"Na última eleição, fui votar e tive problemas, fomos parados no posto de controle (...) Não sabemos quem vencerá e o que acontecerá a seguir. Receio que uma guerra comece", disse ela à RFI.

Desde o início da guerra na Ucrânia em 2022, a Moldávia se encontra no centro de tensões, e estas eleições legislativas estão sendo descritas como "existenciais" por ambos os espectros políticos.

De um lado está o Partido de Ação e Solidariedade, da presidente Maia Sandu, com orientação europeia. Do outro, a aliança pró-Rússia, de comunistas e socialistas. A maioria vencedora determinará para qual lado a Moldávia se inclinará nos próximos anos.

Neste domingo, 12 seções eleitorais especiais serão abertas ao longo da fronteira administrativa, permitindo que todos os cidadãos da Transnístria com passaporte moldavo votem. Trata-se de uma redução significativa em comparação com as eleições presidenciais de 2024, quando 31 seções eleitorais foram criadas para o território.

Para Florent Parmentier, secretário-geral do Centro de Pesquisa Política da Sciences Po (Cevipof) e coautor de "Moldávia na Encruzilhada dos Mundos", esse declínio demonstra que "as eleições são monitoradas de perto pelas autoridades moldavas, que temem manipulação eleitoral".

No entanto, ele reconhece que "uma boa parte dos presentes considerará isso uma forma de exclusão de um grupo de cidadãos cuja maioria é amplamente favorável ao partido pró-Rússia". Nas presidenciais de 2024, 80% dos eleitores votaram no candidato pró-Rússia.

Suspeitas de interferência

No entanto, a participação eleitoral da Transnístria é historicamente baixa. Embora mais de 300 mil residentes possuam passaporte moldavo, apenas 30 mil votaram em 2024. Para este ano, porém, Parmentier estima que a participação eleitoral deva aumentar.

"No início do ano, o fornecimento de gás que abastecia o sistema econômico da Transnístria, vindo da Rússia e passando pela Ucrânia, foi cortado. Isso incentiva uma maior mobilização dos habitantes", avalia.

No contexto da guerra na Ucrânia, a Rússia está redobrando seus esforços para tentar convencer a Moldávia a passar para o seu lado. E os votos dos moldavos pró-Rússia são um fator-chave. Há três anos, as autoridades da Transnístria, com o apoio da Rússia, financiam o transporte público para os eleitores, levando-os de ônibus até as seções eleitorais da fronteira, embora essa prática seja proibida pelo código eleitoral moldavo.

"Nas últimas eleições presidenciais, novas manipulações foram observadas. A Rússia disponibilizou aviões para que cidadãos moldavos residentes na Rússia pudessem votar em Istambul, na Turquia, e em outras cidades", acrescenta Florent Parmentier.

O secretário-geral do Cevipof explica que, por outro lado, o acesso às seções eleitorais não é igual para todos os moldavos.

"Há 75 seções eleitorais para as eleições (moldavas) na Itália, 25 na França e duas na Rússia, onde há uma forte comunidade estimada em 300 mil pessoas. Isso dá uma ideia do tipo de justificativa que essas pessoas darão", explica Parmentier.

Para as autoridades da Transnístria, a organização desses comboios, embora ilegal, serviria para "corrigir uma injustiça na igualdade de acesso ao voto".

Voto simbólico ou decisivo?

Embora a votação na Transnístria possa parecer simbólica, dada a participação historicamente baixa da região, as eleições legislativas deste domingo parecem ser relativamente equilibradas.

"Estas são eleições legislativas proporcionais de turno único. Se 40 mil votos nesta região penderem mais para um lado do que para o outro, isso pode ter um impacto. Portanto, é nesse sentido que devemos estar atentos ao que acontece na Transnístria neste domingo", explica Florent Parmentier.

No entanto, é importante notar que esta não é a região mais pró-Rússia da Moldávia. Gagauzia, que possui status autônomo dentro do país, votou 95% contra a presidente Maia Sandu nas últimas eleições.

Quanto à Transnístria, "há uma parcela da opinião pública, cerca de 20%, que é a favor de Sandu" e da reintegração deste território à Moldávia.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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