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Macron promete apoio à Grécia e reforça defesa europeia em meio a tensões com a Turquia

O presidente Emmanuel Macron afirmou neste sábado (25), em Atenas, que a França apoiará a Grécia "aconteça o que acontecer" em caso de ameaça à soberania grega. A declaração foi feita em meio às tensões recorrentes entre Atenas e Ancara e durante a renovação de uma parceria estratégica de defesa que franceses e gregos pretendem apresentar como modelo para o restante da Europa.

25 abr 2026 - 12h09
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"Nem se façam essa pergunta. Aconteça o que acontecer, estaremos lá, ao seu lado", declarou Macron em entrevista coletiva ao lado do primeiro‑ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, no segundo dia de sua visita oficial ao país. Os dois líderes confirmaram a renovação do acordo de defesa e segurança firmado originalmente em 2021, que inclui uma cláusula de assistência mútua em caso de agressão externa.

"Essa cláusula é inviolável. Não está em discussão entre nós. Portanto, não há espaço para dúvidas", insistiu o presidente francês. "Todos os nossos inimigos, potenciais ou reais, precisam saber disso muito claramente", acrescentou.

Na sexta‑feira (24), Macron já havia feito declarações semelhantes durante um encontro com Mitsotakis na antiga Ágora Romana, no centro de Atenas. Segundo o primeiro‑ministro grego, as palavras do líder francês "tocaram verdadeiramente os corações dos gregos". Desde que voltou ao poder em 2019, Mitsotakis ampliou de forma significativa os investimentos em defesa — com destaque para compras de armamentos franceses.

A visita teve ampla repercussão na imprensa local. O principal jornal do país, Kathimerini, estampou na primeira página uma declaração de Macron: "Estaremos ao seu lado se a sua soberania estiver ameaçada".

Defesa como eixo central da política externa

Para o governo grego, a cláusula de assistência mútua é "a pedra angular" do acordo bilateral, agora renovado de forma tácita e reforçado neste sábado por uma parceria estratégica "abrangente". As tensões com a Turquia — rival histórica da Grécia e também membro da Otan — reaparecem com frequência e são citadas por Atenas como justificativa para o fortalecimento militar.

Desde 2023, houve uma leve distensão nas relações greco‑turcas, com reuniões entre Mitsotakis e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Ainda assim, o histórico de disputas territoriais no Mar Egeu e no Mediterrâneo Oriental mantém o alerta elevado.

Diante do atual cenário de insegurança na Europa, agravado pela guerra na Ucrânia e por disputas regionais, a Grécia lançou no ano passado a maior reforma de suas Forças Armadas desde a Segunda Guerra Mundial. O plano prevê investimentos de cerca de 25 bilhões de euros ao longo de 12 anos.

Entre os projetos está a criação de um sistema integrado de defesa antimíssil, antiaérea e antidrone, batizado de "Escudo de Aquiles". A iniciativa reflete a preocupação crescente com ameaças híbridas, como drones e mísseis de curto alcance.

Um dos maiores gastos militares da Otan

Cliente tradicional da indústria de defesa europeia e norte‑americana, a Grécia está entre os quatro países da Otan que hoje destinam mais de 3% do PIB a gastos militares — ao lado de Polônia, Estônia e Letônia. Após anos de restrições orçamentárias durante a crise financeira de 2009 a 2018, Atenas retomou em 2021 um ambicioso programa de rearmamento.

No âmbito dessa política, o país adquiriu 24 caças Rafale da França e três fragatas da classe Belharra, em contratos que somam mais de 5,5 bilhões de euros. Uma quarta fragata foi incorporada no ano passado, aumentando a interdependência estratégica entre os dois países.

Para Macron e Mitsotakis, a parceria franco‑grega vai além de acordos bilaterais. Ambos defendem que ela antecipa o que chamam de "autonomia estratégica europeia", conceito cada vez mais debatido no continente, sobretudo no contexto de possíveis reequilíbrios no papel dos Estados Unidos dentro da Otan.

"Essa reaproximação entre a Grécia e a França precedeu as recentes grandes convulsões geopolíticas", afirmou o primeiro‑ministro grego. "Ela antecipou a necessidade mais ampla de uma autonomia estratégica para o nosso continente", acrescentou Mitsotakis.

Macron reforçou a ideia ao afirmar que esse "movimento inspirou e continua a inspirar o resto da Europa", fortalecendo o chamado pilar europeu da Otan. "Isso deixou de ser apenas um conceito e se tornou uma verdadeira estratégia", concluiu.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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