Longas filas em aeroportos levam União Europeia a rever implementação de controles de fronteira
A União Europeia vai "redobrar os esforços" para tentar resolver os problemas relacionados aos novos controles automatizados em suas fronteiras, que vêm provocando longas filas nos aeroportos. A promessa foi feita pelo comissário europeu responsável pelas questões migratórias, Magnus Brunner, em resposta às críticas do setor aéreo.
Aeroportos e companhias aéreas criticaram duramente em uma carta conjunta, na quarta-feira (1º), o novo sistema criado para registrar viajantes não europeus que chegam ao território do bloco. Segundo o setor, os tempos de espera "agora podem chegar a até cinco horas nos horários de pico".
O novo sistema europeu de controle de fronteiras para cidadãos extracomunitários, que substitui o carimbo manual nos passaportes, entrou em funcionamento em outubro de 2025. Desde dezembro, com o início da segunda fase do dispositivo, passou-se a exigir a coleta de dados biométricos, como fotografia e impressões digitais dos passageiros.
O programa também registra as datas de entrada e saída dos viajantes e tem como objetivo monitorar permanências além do prazo permitido e recusas de entrada. O sistema está em vigor nos países da União Europeia, exceto na Irlanda e em Chipre, além de outros integrantes do espaço Schengen, como Suíça, Noruega e Islândia.
Em vários países, o impacto foi quase imediato. Chegaram a ser registradas filas de até nove horas nos guichês de imigração do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.
A Comissão Europeia "vai redobrar os esforços para ajudar os Estados-membros que ainda enfrentam dificuldades", respondeu Brunner em uma carta enviada na sexta-feira (3) e divulgada pela AFP no domingo (5).
Até 40 milhões de passageiros adicionais nas férias
Para lidar com a situação durante as férias de verão no hemisfério norte, período em que se espera a circulação de até 40 milhões de passageiros adicionais, aeroportos europeus e companhias aéreas pediram que os novos controles sejam totalmente suspensos em momentos de grande movimento.
Na carta, o comissário europeu, que se reunirá na terça-feira com representantes do setor, destacou que o sistema foi 'implementado com prudência e de forma gradual'. Segundo ele, o modelo já previa dificuldades iniciais e permite certa flexibilidade durante a temporada de férias de verão de 2026, até o início de setembro, com medidas como a suspensão temporária do registro de dados biométricos.
Magnus Brunner acrescentou que outros fatores, sem relação com os novos controles e que tornam a Europa mais segura dia após dia, também podem estar na origem dos atrasos, como a falta de pessoal e a insuficiência de infraestrutura adequada.
Desde outubro de 2025, 110 milhões de pessoas entraram ou saíram da União Europeia por meio do novo sistema, e mais de 44 mil tiveram a entrada recusada, destacou Brunner. A grande maioria desses casos ocorreu por causa da falta de documento de viagem ou visto válido.
(Com agências)
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