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Imprensa italiana descreve vida de Zambelli em Roma antes da prisão: 'Clandestinidade dourada'

A prisão de Carla Zambelli, deputada federal licenciada pelo PL de São Paulo, provocou uma onda de repercussões na imprensa italiana, que já vinha acompanhando a estadia da parlamentar no país com atenção. O jornal Corriere della Sera explica que ela era procurada pela Interpol e traz os detalhes da relação próxima da parlamentar brasileira com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Já o La Repubblica caracterizou o período anterior à prisão como uma "clandestinidade dourada".

30 jul 2025 - 11h10
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A prisão de Carla Zambelli, deputada federal licenciada pelo PL de São Paulo, provocou uma onda de repercussões na imprensa italiana, que já vinha acompanhando a estadia da parlamentar no país com atenção. O jornal Corriere della Sera explica que ela era procurada pela Interpol e traz os detalhes da relação próxima da parlamentar brasileira com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Já o La Repubblica caracterizou o período anterior à prisão como uma "clandestinidade dourada".

Natural de São Paulo, Carla Zambelli foi localizada em território italiano após uma denúncia do deputado ecologista Angelo Bonelli.
Natural de São Paulo, Carla Zambelli foi localizada em território italiano após uma denúncia do deputado ecologista Angelo Bonelli.
Foto: RFI/Nathália Watkins / RFI

Procurada pela Interpol desde maio, após ser condenada no Brasil a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça, Zambelli foi detida pela polícia italiana em um apartamento em Roma.

Natural de São Paulo, Zambelli foi localizada em território italiano após uma denúncia do deputado ecologista Angelo Bonelli, conforme noticiado pela emissora pública RAI

O Corriere della Sera, um dos jornais de maior prestígio da Itália, detalhou o histórico da deputada, mencionando a sua fuga do Brasil em 25 de maio pela Argentina e, posteriormente, pelos Estados Unidos.

O periódico também destacou a proximidade de Zambelli com o ex-presidente Jair Bolsonaro e a sua reação, reproduzida por diversos veículos italianos: "Tenho passaporte italiano. Sou intocável na Itália. Não podem me extraditar de um país do qual sou cidadã", disse ela à CNN Brasil, provocando discussões sobre os limites da imunidade diplomática e as implicações da dupla cidadania.

Emissoras e jornais italianos observam que haverá um possível embate entre os sistemas judiciários do Brasil e da Itália.

Já o La Repubblica, que conseguiu entrevistar Zambelli momentos antes dela ser presa, na periferia de Roma, destacou a defesa da parlamentar. "Sou inocente, não tenho nada a esconder. Fui condenada por motivos políticos. Vim para a Itália porque sou italiana e gostaria de continuar a viver aqui", afirmou. 

O mesmo diário também publicou textos que exploram os laços entre a extrema direita italiana e brasileira, com os títulos "Salvini quer se encontrar com a brasileira Zambelli", "Todos os laços da Liga com o bolsonarismo" e "Presa em Roma a deputada ítalo-brasileira Zambelli: 'Fui perseguida'", evidenciando como o caso ultrapassou as fronteiras jurídicas e adentrou o debate político europeu.

Interpol na cola de Zambelli

A emissora pública RAI e a agência de notícias ANSA acompanharam de perto os desdobramentos da prisão, detalhando a atuação da Interpol e da polícia italiana. Ambas ressaltaram o papel decisivo do deputado Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, que forneceu às autoridades o endereço de Zambelli em Roma. A decisão de Bonelli gerou controvérsias, mas ele a justificou como um "ato de respeito à justiça internacional".

A ANSA também sublinhou a complexidade jurídica do processo de extradição, enfatizando que, embora o mandado de captura internacional esteja vigente, a cidadania italiana da parlamentar pode representar um obstáculo legal. O sistema judicial da Itália, segundo especialistas consultados, deve analisar o pedido brasileiro com base em tratados internacionais e na legislação nacional, podendo levar meses até uma decisão definitiva.

Em 11 de junho, os juízes da Supremo Tribunal Federal, por meio da embaixada em Roma, solicitaram ao Ministério da Justiça italiano a extradição de Zambelli. Em meados de julho, o ministro Piantedosi afirmou, durante uma sessão na Câmara, que havia "iniciado atividades investigativas para localizar a senhora, em conjunto com a autoridade judiciária de Roma, que foi imediatamente informada".

Piantedosi acrescentou que "durante as investigações, foram verificadas diversas denúncias sobre a presença da ex-parlamentar em determinados locais, sempre com resultado negativo". Ele também explicou que, durante o controle de fronteira no aeroporto de Fiumicino, em 5 de junho, Zambelli "não apresentava antecedentes policiais na Itália nem registros desfavoráveis, e as autoridades não tinham base legal para detê-la".

Zambelli encontra-se detida provisoriamente e aguarda decisão do Ministério da Justiça italiano quanto ao andamento do processo de extradição. Enquanto isso, a imprensa italiana segue acompanhando os desdobramentos de um caso que transcende fronteiras e mistura elementos jurídicos, políticos e diplomáticos.

(RFI com agências)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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