Guerra na Ucrânia: Kiev exige de Moscou US$ 43 bilhões de compensação climática
Apesar de o tema ser pouco mencionado, as guerras também têm um forte impacto sobre o meio ambiente e a Rússia terá de pagar pelos danos ambientais que está causando. Essa foi a mensagem enviada pela Ucrânia na terça-feira (18), na 30ª conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas (COP30), que acontece neste momento, em Belém, no Brasil. A Ucrânia pretende reivindicar, por meio de um mecanismo criado no âmbito do Conselho da Europa, uma compensação no valor de U$ 43 bilhões.
Combustível queimado pelos tanques de combate e pelos aviões, aço e cimento produzidos para as linhas de frente: a principal causa das emissões de gases de efeito estufa ligadas à invasão russa da Ucrânia são, evidentemente, as atividades militares. Mas há também os incêndios que os bombeiros não conseguem apagar em zonas de combate e os aviões civis obrigados a contornar o território.
Ao todo, durante os três anos de guerra, o equivalente a 236,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono foram emitidas na atmosfera, segundo os especialistas da Iniciativa para a Contabilização dos Gases de Efeito Estufa da Guerra (IGGAW), uma associação financiada, em particular, pela Ucrânia e por governos europeus. "Temos muitos desafios a enfrentar neste momento", disse o vice-ministro ucraniano da Economia e do Meio Ambiente, Pavlo Kartashov. "Todos os dias pessoas morrem, temos problemas energéticos. Mas um dia a Rússia deverá ser responsabilizada por todos os danos que causou, incluindo os danos ao meio ambiente, à água, aos animais, aos solos", disse.
A Ucrânia é "o primeiro país a buscar uma compensação por danos climáticos causados pelas emissões resultantes de um ato de agressão ilegal", afirma o comunicado de imprensa conjunto do governo ucraniano e da IGGAW. O texto acrescenta ainda que "a demanda da Ucrânia se apoiará em um parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça, emitido em julho de 2025, segundo o qual os Estados responsáveis por atos ilegais que provoquem danos climáticos significativos podem ser responsabilizados, sendo a compensação uma das formas possíveis de reparação".
"Potência agrícola"
A segunda fonte mais importante de emissões ligadas à guerra será a reconstrução. Para Lennard de Klerk, da IGGAW, a Ucrânia pode fazer diferente: "Em vez de usar cimento, utilizar materiais de origem biológica como o cânhamo, por exemplo. A Ucrânia é uma potência agrícola, ela pode cultivar esse cânhamo. Seria uma forma de não produzir essas emissões ligadas à reconstrução."
O comunicado de imprensa conjunto destaca ainda que a Ucrânia elaborou uma lei para regulamentar uma "reconstrução verde" e atrair investimentos, comprometendo-se igualmente a alinhar-se às políticas climáticas da União Europeia.
Com RFI