França vai libertar Georges Abdallah, militante libanês pró-palestino preso há décadas no país
A Justiça francesa ordenou nesta quinta-feira (17) a libertação do militante libanês pró-palestino Georges Ibrahim Abdallah, condenado em 1987 pelo assassinato de diplomatas israelenses e americanos em Paris. Detido há mais de 40 anos, ele é um dos prisioneiros mais antigos da França.
A Justiça francesa ordenou nesta quinta-feira (17) a libertação do militante libanês pró-palestino Georges Ibrahim Abdallah, condenado em 1987 pelo assassinato de diplomatas israelenses e americanos em Paris. Detido há mais de 40 anos, ele é um dos prisioneiros mais antigos da França.
A liberação do libanês Georges Abdallah ocorrerá no dia 25 de julho. O Tribunal de Apelação tomou a decisão durante uma audiência, realizada a portas fechadas, no Palácio de Justiça de Paris. A sessão aconteceu sem a presença de Abdallah, que está detido na prisão de Lannemezan, na região dos Pirineus franceses.
A corte considerou a detenção do libanês "desproporcional" em relação aos crimes cometidos e concluiu que, aos 74 anos, o detento "idoso" não representa mais risco à ordem pública. Abdallah deseja "passar seus últimos dias" em sua aldeia no norte do Líbano, indica o comunicado.
A decisão do Tribunal de Apelação de Paris confirma uma sentença decidida pelo Tribunal de Execução Penal em novembro de 2024, que havia sido imediatamente suspensa por um recurso do Ministério Público Antiterrorista.
Expulsão definitiva para o Líbano
A libertação de Abdallah é, no entanto, condicionada à sua expulsão imediata e definitiva do território francês. Os detalhes de como ele vai deixar a França ainda não são conhecidos, mas já se sabe que o libanês deverá ser levado pelas forças de segurança ao aeroporto de Tarbes, no sudoeste da França, com destino a Roissy-Charles de Gaulle. No aeroporto parisiense, pegará um voo para Beirute. O Líbano, que reivindica sua libertação junto às autoridades francesas há anos, será responsável pela organização do retorno.
A defesa do detento considerou a decisão "uma vitória judicial". Ao mesmo tempo, o advogado Jean-Louis Chalanset denunciou, ao sair da sala de audiência, "um escândalo político pelo fato do prisioneiro não ter sido libertado mais cedo, devido ao comportamento dos Estados Unidos e dos sucessivos presidentes franceses".
Georges Abdallah, ex-líder de um grupo marxista libanês pró-palestino, está preso desde 1984 e tinha direito à liberdade condicional há 25 anos. Todos os pedidos anteriores, cerca de uma dezena, para que deixasse a prisão foram recusados ou adiados por recursos.
O militante libanês foi condenado em 1987 por cumplicidade no assassinato de dois diplomatas, o americano Charles Ray e o israelense Yacov Barsimentov. Os Estados Unidos se opuseram vigorosamente à sua libertação.
Indenização de € 16 mil às vítimas
O prisioneiro fez um depósito de € 16 mil em sua conta para indenizar os familiares de suas vítimas. O gesto aparentemente convenceu os juízes. Durante muito tempo, Abdallah, que se considera um prisioneiro político, havia se recusado a atender esse pedido dos requerentes. No dia 19 de junho, o advogado de defesa informou que a quantia estava finalmente disponível na conta de seu cliente, sem dar detalhes sobre a mudança de opinião de Abdallah nem sobre a origem do dinheiro.
O militante libanês pró-palestino nunca reconheceu seu envolvimento nos assassinatos dos diplomatas em Paris, apesar de sempre ter qualificado os atos como "resistência contra a opressão israelense e americana", no contexto da guerra civil libanesa e da invasão israelense no sul do Líbano em 1978. Ele martelava diante dos juízes que sua "ação sempre foi guiada pelas violações aos direitos humanos na Palestina", afirmando ser "um combatente e não um criminoso".
Durante muito tempo, Georges Abdallah foi considerado equivocadamente responsável por atentados terroristas ocorridos em 1985 e 1986 em Paris. Os verdadeiros autores, pró-iranianos, foram identificados dois meses após a condenação do libanês à prisão perpétua.
(RFI com AFP)