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França se prepara para semana de protestos e greve em vários setores

A França se prepara para uma nova semana de mobilizações após os protestos realizados no sábado (31) contra o alto custo de vida e em defesa de melhores condições de estudo para alunos do ensino médio. Uma jornada nacional de greves e manifestações está prevista para quinta-feira (5). O movimento estudantil "Les Lycéens!" convocou neste domingo (1º) o bloqueio de escolas de ensino médio a partir de segunda-feira (2).

1 nov 2026 - 16h39
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Resumo
Insatisfeitos com as medidas do governo, estudantes franceses mantêm bloqueios e convocam paralisações ao lado de sindicatos que exigem reajustes salariais. No sábado, atos reuniram até 500 mil pessoas e resultaram em 779 prisões e dezenas de policiais feridos, incluindo um ataque com coquetel molotov investigado em Paris. Os protestos já causam fortes prejuízos ao comércio e à hotelaria, motivando auxílios estatais, enquanto a onda de manifestações por educação se expande para Alemanha e Itália.

Pierre Sourzat, presidente do grupo Les Lycéens!, declarou à rádio francesa RMC que os estudantes estão insatisfeitos com as medidas anunciadas pelo governo francês. "Não, não vamos simplesmente voltar às aulas porque, segundo o presidente, ele nos ouviu. Na verdade, não nos ouviu. Ele praticamente não nos deu nada", afirmou.

"As escolas serão bloqueadas a partir de segunda-feira. Esse é o princípio de uma greve: causar transtornos. O objetivo é manter a mobilização ao longo do tempo", acrescentou. Ele criticou a "política de fachada" do governo, que anunciou no início da semana uma série de medidas voltadas aos jovens.

Entre as propostas estão a substituição da plataforma de acesso ao ensino superior Parcoursup até 2028, a abertura de 15 mil vagas nas universidades, o reajuste das bolsas estudantis pela inflação, a contratação de professores e profissionais de apoio e a redução do número de alunos por turma no ensino médio.

A União Sindical dos Estudantes Secundaristas e a União Estudantil mantiveram a mobilização em escolas e universidades para terça-feira (3) e quinta-feira (5), dia de greve nacional dos setores público e privado. Diversos sindicatos defendem uma ampla mobilização. "Desta vez estamos perto de conquistas concretas para que o amanhã seja melhor do que o hoje", afirmou à BFMTV Thomas Vacheron, secretário confederal da CGT (Confederação Geral do Trabalho).

O sindicalista defende o aumento do salário mínimo, o reajuste dos vencimentos dos servidores públicos e a elevação dos salários em geral. "O governo precisa responder agora às manifestações", insistiu.

Policiais e manifestantes ficam frente a frente durante protesto em Paris, no sábado (31). A mobilização contra o aumento do custo de vida reuniu milhares de pessoas em várias cidades francesas.
Policiais e manifestantes ficam frente a frente durante protesto em Paris, no sábado (31). A mobilização contra o aumento do custo de vida reuniu milhares de pessoas em várias cidades francesas.
Foto: RFI

Detenções nos protestos de sábado

De acordo com o Ministério do Interior, os protestos de sábado (31) reuniram 320 mil pessoas em todo o país, incluindo 70 mil em Paris. Segundo os organizadores, 500 mil manifestantes foram às ruas na França, dos quais 200 mil na capital. Grupos radicais tentaram, em diversas cidades como Bordeaux, Toulouse, Rennes, Lille, Nantes, Marselha e Lyon, avançar para os centros urbanos para praticar atos de vandalismo e saques, mas foram impedidos pelas forças de segurança, informou o Ministério do Interior.

Ao todo, 779 pessoas foram detidas na França no sábado, e o restante da noite transcorreu "sem incidentes graves", acrescentou. Até as 20h GMT (17h em Brasília), foram registradas 565 detenções, contra 1.435 em 24 de outubro e 2.628 em 17 de outubro. No mesmo horário, 116 agentes das forças de segurança ficaram feridos, contra 267 na semana anterior e 1.144 duas semanas antes. Durante a noite de Halloween, após as 20h GMT, mais 214 pessoas foram detidas e 43 policiais ficaram feridos.

Em Marselha, o saldo da manifestação de sábado foi de 18 detenções, 19 policiais levemente feridos, uma tentativa frustrada de arrombamento de um comércio e três lojas com fachadas danificadas. "O dia de hoje (sábado) foi um dia de alto risco. O esquema de segurança, 'robusto e flexível', permitiu a realização das manifestações previstas, garantindo a liberdade de expressão e impedindo as ações daqueles que procuravam provocar distúrbios", declarou no X o ministro do Interior, Laurent Nuñez.

Queda nas reservas de hotéis

Segundo a CCI France, rede francesa de câmaras de comércio e indústria, 20 lojas foram afetadas, contra 2.488 em 17 de outubro e 50 em 24 de outubro. Em comunicado, a entidade demonstrou preocupação com o impacto dos protestos sobre a atratividade da França e a atividade comercial às vésperas das festas de fim de ano, período considerado crucial para o setor.

A queda no faturamento dos estabelecimentos próximos às manifestações é hoje estimada entre 60% e 80% em comparação com um sábado normal. A CCI também calcula uma redução de 20% nas reservas do setor hoteleiro durante a semana.

Os prejuízos se somam a uma série de crises enfrentadas pelo comércio desde 2018, incluindo os protestos dos coletes amarelos, a pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia e a perda de poder de compra da população. Para apoiar os comerciantes, as autoridades anunciaram uma série de medidas. Empresas com faturamento anual inferior a € 10 milhões (cerca de R$ 64 milhões) e menos de 50 funcionários poderão receber auxílio direto de até € 10 mil (cerca de R$ 64 mil).

Fundos emergenciais também foram liberados por governos locais, totalizando € 13 milhões (cerca de R$ 83 milhões) para Paris e sua região metropolitana, € 12 milhões (cerca de R$ 77 milhões) para Marselha e sua metrópole e € 25 milhões (cerca de R$ 160 milhões) para Lyon e a região de Auvergne-Rhône-Alpes. Além disso, um empréstimo com juros zero oferecido pelo banco público Bpifrance permite financiamentos de até € 50 mil (cerca de R$ 320 mil) para comerciantes afetados.

Manifestantes participam de protesto em Paris, no sábado (31).
Manifestantes participam de protesto em Paris, no sábado (31).
Foto: RFI

Incidente em Paris

Uma investigação foi aberta por "tentativa de homicídio contra agentes da autoridade pública" após o lançamento de um coquetel molotov contra gendarmes durante os protestos de sábado em Paris, informou o Ministério Público da capital.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, classificou o episódio como uma "tentativa de assassinato". Imagens divulgadas pela imprensa mostraram um artefato incendiário explodindo aos pés de um agente de segurança em um bairro da zona leste de Paris, causando ferimentos leves.

Segundo o Ministério Público, cerca de 15 gendarmes e policiais foram alvo de artefatos explosivos. O agente atingido pelo coquetel molotov relatou à imprensa queimaduras na pele e uma "chuva" de objetos arremessados contra sua unidade por um grupo que descreveu como "determinado". Os candidatos à Presidência Marine Le Pen, da extrema direita, e Bruno Retailleau, da direita conservadora, condenaram o ato e o classificaram como "insuportável".

Movimento se espalha pela Europa

O movimento nasceu em meados de setembro em escolas francesas, com reivindicações por mais recursos para a educação, e desde então se espalhou por outros países europeus. No sábado, dezenas de milhares de jovens protestaram em grandes cidades da Alemanha para exigir mais investimentos na educação. Na Itália, centenas de milhares de estudantes e trabalhadores foram às ruas na sexta-feira para pedir mais recursos para as escolas e medidas contra o aumento do custo de vida.

Com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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