França repatria mulheres e crianças de campos jihadistas na Síria pela primeira vez em dois anos
Na madrugada desta terça-feira (16), a França repatriou dez crianças e três mulheres, com idades entre 18 e 34 anos, que estavam detidas em campos de prisioneiros jihadistas no nordeste da Síria. Essa é a primeira operação do tipo desde julho de 2023.
Na madrugada desta terça-feira (16), a França repatriou dez crianças e três mulheres, com idades entre 18 e 34 anos, que estavam detidas em campos de prisioneiros jihadistas no nordeste da Síria. Essa é a primeira operação do tipo desde julho de 2023.
Segundo o Ministério Público Antiterrorista francês, duas das mulheres foram colocadas sob custódia judicial, e uma terceira, que já tinha um mandado de prisão, será apresentada a um juiz ainda hoje. As crianças estão sob responsabilidade da promotoria de Versailles, dentro de um processo de assistência educacional.
O governo francês agradeceu às autoridades locais da Síria e à administração do nordeste do país por viabilizarem a operação.
Desde 2019, a França já repatriou 179 crianças e 60 mulheres, mas essas ações haviam sido interrompidas no verão europeu de 2023 por falta de voluntários, apesar de pressões internacionais, incluindo uma condenação da Corte Europeia de Direitos Humanos em 2022.
Críticas e denúncias de arbitrariedade
A advogada Marie Dosé, que representa as mulheres repatriadas, celebrou o retorno como um "alívio imenso e indescritível" para as famílias que esperavam há mais de seis anos. No entanto, ela criticou o fato de que ainda há cerca de 110 crianças francesas detidas no campo de Roj, controlado por forças curdas.
Esses campos abrigam dezenas de milhares de pessoas de cerca de 50 nacionalidades, suspeitas de ligação com o grupo Estado Islâmico. Em junho, ainda havia cerca de 120 crianças e 50 mulheres francesas nesses locais, segundo o coletivo Famílias Unidas, que reúne parentes dos detidos.
Após o repatriamento, o coletivo voltou a denunciar nas redes sociais as condições indignas em que vivem crianças "inocentes", que continuam presas.
Marie Dosé também criticou a postura do governo francês, que antes exigia o consentimento das mães para repatriar os filhos e agora se recusa a trazê-los de volta mesmo após atingirem a maioridade. Ela acusa o Estado de punir os filhos pelas escolhas dos pais.
Além disso, ela denuncia o abandono de mulheres sem filhos ou cujos filhos morreram, e de jovens que nasceram na França, foram levados à força para a Síria e hoje estão presos em outros centros de detenção.
Pressão internacional
Matthieu Bagard, da ONG Avocats Sans Frontières France, afirmou que a operação mostra que a França tem capacidade de organizar esses repatriamentos, mas lamenta que mulheres e jovens ainda estejam "detidos ilegalmente".
Em fevereiro, a administração curda anunciou, em parceria com a ONU, que pretende esvaziar até o fim de 2025 os campos do nordeste da Síria, incluindo os que abrigam familiares de jihadistas.
(Com AFP)